Ainda o monstro no jornal “I” :Outro estudo de Miguel Frasquilho conclui outra coisa

29 07 2009
Despesa do Estado
 
 
O Monstro como lhe chamou Cavaco Silva em 2000, reside na máquina do Estado, ou seja, nas despesas de funcionamento. Estas são obtidas através da soma das despesas com os trabalhadores e os consumos intermédios, ou seja, são as despesas do dia-a-dia. Retiro às despesas correntes os juros da dívida pública, os subsídios e apoios às empresas, as prestações sociais, ficando apenas com as despesas da máquina do Estado. Ora, estas despesas pesavam no PIB, em 1986, 17,9%, e chegamos a 2009 com 18%. Em 23 anos este peso manteve-se. Mas, como as prestações sociais aumentaram muitíssimo – devido ao envelhecimento da população e aos benefícios sociais que foram atribuídos ao longo deste período – não houve aumento da receita para diminuir o défice e equilibrar as contas públicas. […]. “

 

E Guterres foi campeão na engorda do monstro…Porquê? Por ter admitido muitos novos funcionários públicos durante o seu mandato.

No mesmo jornal também podemos ficar a saber o que pensam o ministro e os ex-ministros das finanças a respeito do problema do défice orçamental em outro artigo de hoje:

 «Carga fiscal. Ninguém quer pagar mais impostos. Haverá outra solução?

Publicado em 29 de Julho de 2009

“Mais eficiência na máquina fiscal e congelar as despesas do Estado são opções apontadas pelos ex-ministros das Finanças para corrigir o défice.”[…]

 

 

Ficamos a saber outro significado para a sigla PPP : para além de “Purchasing Power Parities”, também pode significar, em Português, “Parcerias Público-Privadas”, ou dito de outra forma, negociatas entre grupos empresariais (cujos líderes  defendem  “menos Estado”) e o Estado (a fazer de almofada de segurança e mais sabe-se lá o quê…)

Todos estão, pelos vistos,  de acordo em reduzir as funções do Estado, esse é ponto não polémico entre o PS e o PSD. E nós por cá vamos contando com comparticipações maiores das famílias nas despesas sociais, apertar o cinto, portanto. E os culpados disto tudo são os mesmos do costume: os funcionários públicos que, como é do conhecimento do senso comum primário não pagam impostos, nunca foram avaliados, nunca apertaram o cinto (que até não estão com as carreiras congeladas há anos) e que aparecem de novo na primeira página do DN, desta vez, como os “privilegiados” da Europa no horário de trabalho…





Jornal “I”: Estudo de Ricardo Reis

29 07 2009

Não tenho o estudo completo mas a frase destacada a negrito assusta um pouco quanto ao rigor do mesmo. Talvez seja só gralha…

Só deixo como comentário umas perguntas:

Terão sido tomadas em conta  as alterações à forma de cálculo das contas Nacionais de 95 que alteram os sistemas de cálculo de 79 e depois as alterações de 2000? E as posteriores nomeadamente no cálculo do déficit orçamental?

Nota: Já comprei o jornal i de hoje com as reacções. Ainda não li. Posteriormente actualizarei mas não consegui o jornal de ontem. Tive que actualizar o post várias vezes para que o quadro seguinte fosse legível. Entretanto devo dizer, a respeito da frase destacada no texto, que se não foi gralha o autor fez um raciocínio circular uma vez que aquilo  que produzimos é o somatório dos VAB (valores acrescentados) que já vem deduzido das importações. Os “recursos disponíveis” para o autor são os bens (de consumo e de investimento) que estão cá dentro. Mas que afinal não deveriam estar, pois, dessa forma, o consumo das famílias e do Estado somados (mais o investimento) são bem maiores do que o PIB o que constitui precisamente  a nossa desgraça estrutural. Ainda está para nascer um primeiro ministro democrata que reduza a zero o DÉFICE EXTERNO!

No INE temos este quadro:

Unidade: %         Unit: %
  Despesa de consumo final em percentagem do PIB Formação bruta de capital fixo em percentagem do PIB Taxa de crescimento do PIB (real)
Administrações públicas  Instituições sem fins lucrativos ao serviço das famílias     Famílias
Portugal          
1995  17,9  1,9  63,4  22,5 x
1996  18,2  2,0  63,2  23,0  3,6
1997  18,1  1,9  62,4  25,2  4,2
1998  18,3  1,9  61,6  26,5  4,8
1999  18,6  1,8  61,9  26,8  3,8
2000  19,3  2,0  61,9  27,1  3,9
2001  19,7  2,0  61,3  26,5  2,0
2002  20,0  2,0  61,1  25,0  0,8
2003  20,3  2,0  61,4  22,9 – 0,8
2004  20,6  2,0  62,1  22,6  1,5
2005  21,4  2,0  62,8  22,2  0,9
2006  20,7  2,0  63,3  21,7  1,4
2007 Pe  20,3  2,0  63,0 21,8  1,9
© INE, Portugal, 2008, Anuário Estatístico de Portugal 2007.
 Informação disponível até 30 de Setembro de 2008. 
 Fonte: INE, Contas nacionais.
 
Nota: Os dados apresentados para o período 1995 a 1998 são dados das
Contas de base 95 retropolados à base de 2000. 
 
         

Anuário Estatístico 2007 (folha excel parte 2 (CapIII -01 a 07)





Editora Textiverso: uma editora jovem e independente

28 07 2009

A editora Textiverso, apesar da sua ” juventude” no mercado, tem já colecções temáticas com alguma dimensão, apostando em núcleos de interesse,  a que os economistas chamariam “nichos de mercado” mas eu, que não sou economista, prefiro não usar a palavra “nicho” que tem algo de claustrofóbico e os temas tratados são tão variados e “abertos” que nada têm de atmosfera fechada. 

Tem também soluções interessantes para quem queira publicar teses , textos ensaísticos ou outros.

Tem sede em Alcochete embora  o centro de “operações” se tenha concentrado em Leiria.

Devo acrescentar que não sou imparcial nos comentários à editora,  já que ela é um projecto de amigos e  familiares meus.  Uma visita à secção  autores pode dizer mais da qualidade dos colaboradores do que qualquer comentário meu. Neles consta o nome do meu falecido pai. Noutra ocasião dedicarei um post aos seus dois pequenos (em número de páginas) mas grandes livros na colecção Tempos e Vidas. Esses livros, “Era assim no Funchal” e “Viveiros”, estão já disponíveis (em  publicação póstuma) e serão apresentados em Lisboa, na Casa da Madeira, no Funchal e em Leiria em datas ainda a fixar.

A escolha de destaque do livro do post anterior Demanda, Deriva, Desastre. Os três dês do Acordo Ortográfico justifica-se pela actualidade do tema e pertinência para a educação em geral, por ser dos últimos livros a sair e por  não ser o autor meu familiar, tornando o destaque mais imparcial.

As obras já editadas  estão em venda sobretudo por encomenda a partir do site (a editora faz a sua própria distribuição).





“Demanda, Deriva, Desastre – Os três dês do Acordo Ortográfico” De F.M. Valada, Editora Textiverso

28 07 2009

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Um livro com muita actualidade e pertinência, de um autor jovem, Francisco Miguel Valada , publicado por uma editora jovem: a Textiverso

 





Bento XVI de esquerda?

28 07 2009

Via Público, li este post intitulado “Leviandades”  do blog religionline com resposta às críticas  de H. Raposo (Expresso) à encíclica Caritas Veritate.

Fiquei curiosa, vou mesmo ler a encíclica.

Citando a wikipedia  sobre Bento XVI (versão inglesa):

“Pope Benedict has to date written three encyclicals, Deus Caritas Est (Latin for “God is Love”), Spe Salvi (“Saved by Hope”), and Caritas in Veritate (“Love in Truth”).”

Confesso, só li a primeira e até que gostei.

Na wikipedia versão portuguesa ficamos a saber alguma coisinha  sobre o pontificado de Bento XVI, mas nela encontramos  informações essenciais como o facto de Ratzinger ser pianista e usar ipod, e last but not least:

“O carro do papa, um Volkswagen Golf, foi vendido à eBay por 188.938,88 euros.”





Público e Washington Post sobre Merce Cunningham

28 07 2009

Público:
«Bailarino e coreógrafo Merce Cunningham morre aos 90 anos
27.07.2009 – 15h33 Sérgio C. Andrade
Merce Cunningham, o lendário coreógrafo que revolucionou a dança moderna, morreu ontem, em Nova Iorque, aos 90 anos. “É com grande pesar que anunciamos o desaparecimento de Merce Cunningham, que morreu tranquilamente em sua casa, de causas naturais”, dizia o comunicado emitido pela Cunningham Dance Foundation e pela Cunningham Dance Company, que o dançarino e coreógrafo nascido em Centralia, Washington, em 1919, tinha formado no Verão de 1953.

Com a sua companhia, Cunningham marcou a evolução da dança, estabelecendo uma relação muito particular com as artes plásticas e com a música contemporânea, nomeadamente com a obra de John Cage, com quem começou a trabalhar em meados da década de 40, numa parceria que só viria a terminar com a morte do compositor americano, em 1992.

“Merce revolucionou as artes visuais e performativas, não em busca da iconoclastia, mas da beleza e maravilhamento que decorrem da exploração de novas possibilidade”, acrescenta a nota.[…]»

Washington Post:

MERCE CUNNINGHAM 1919-2009

 A Modern Master’s Dances, Stepping Into the Shadows?

By Sarah Kaufman

Washington Post Staff Writer
Tuesday, July 28, 2009

 As of exactly two weeks ago, the Merce Cunningham Dance Company could still drive audiences to a near-revolt, with a performance at Wolf Trap leading to cheering, a few boos and a shouting match between two men with incompatible reactions.

If you can’t appreciate it, just leave! bellowed one to the other.

But with the death of the 90-year-old Cunningham on Sunday, his work — as revolutionary and provocative as it is — may be swiftly reduced to a memory.

Cunningham, a gentle man, was a great roaring lion of a choreographer. His boundary-busting helped forge modern dance into a vital and exportable American art form. Give him a tradition and he torched it: He ripped music and dance apart — his dancers didn’t know what music they’d be dancing to until opening night. Even the sets, costumes and lighting for his works were often created independently of one another. He had a gambler’s lust for Lady Luck, using “chance operations” — tossing dice or a coin — to set the order of sections of a dance, or to determine which piece of music would be played first.

[…]

All dance is, uniquely and sadly, an ephemeral art form. It lacks a good system of self-preservation other than continuous performance, with one generation of dancers teaching the steps to the next. Even though videotaping and written notation methods are now commonly used to record some productions — what if the dancers made a mistake? What if the camera angle misses the dancers in the back row? No technology tops the labor-intensive oral tradition as the best means for capturing a choreographer’s intentions, use of music and so many other details that go into the live art and are kept in dancers’ memories, rather than in reference material. Under Cunningham’s Living Legacy Plan, rights to his works will be made available. But with no group of professional dancers charged with performing them, the most likely to seek these rights are college dance departments looking for a teaching exercise.

“Why do we have to throw away the old stuff? No other art form does it,” says Janet Eilber, artistic director of the Martha Graham Dance Company. “If Merce’s works are truly relegated to historic reproductions at the university level, and are not danced with the full-on professional power of people who have been trained in that genre, they won’t really exist in their full artistic power. And I think that’s depressing.”

The reality is that Cunningham’s death and the eventual self-destruction of his company may be as good as consigning his works to the dustbin. Fans might as well envision black edges all around Cunningham’s works now — the glorious creation myth that is “Sounddance,” with its fierce, cyclonic score; “XOVER,” a final collaboration with painter Rauschenberg, and a meditation on eternity. Cunningham loved the randomness of life that he represented in his work with the toss of a coin. But in a field ill-suited to keeping its history alive, too much is now being left up to chance.”

“TV RERUN” 1972 Merce Cunningham

Wikipedia on Merce Cunningham

Talvez agora faça algum sentido esta peça de John Cage:





Trio maravilha no seu melhor: “Dariam óptimos professores de Matemática (sic)”

26 07 2009