Objectivos

30 01 2008

Se defende a possibilidade de vir a ser avaliado na sua vertente “ética” e precisa do processo de avaliação de docentes para ter “orientações para o seu desenvolvimento pessoal” como diz o decreto regulamentar 2/08;

se reconhece toda a competência ao Conselho Pedagógico da sua escola para construir as grelhas que entender e tomar a decisão de colocar os professores qualificados em estágio permanente sem a respectiva redução lectiva sem que seja garantido à partida o mesmo tratamento quando for a vez da avaliação dos membros do dito CP;

se acha que uma grelha de observação é um instrumento neutro e objectivo e não traduz uma filosofia pedagógica para a definição da qual não contribuiu;

se lhe é indiferente o direito consagrado no estatuto da carreira docente actual que garante a autonomia pedagógica do professor individual;

se pensa que no final do segundo período pode traçar objectivos para o período 2008/2010 (cuja consecução servirá de base para a sua avaliação);

se defende que a observação de aulas se pode fazer em momento aleatório face ao desenrolar normal do ano lectivo que decorre de Setembro a Junho;

se está de acordo com a ideia (que não aparece nem no estatuto nem no decreto regulamentar) de que o avaliador vai observar a aula para julgar a sua competência científica como transparece nas orientações do “conselho” científico (dos 21 em 1) e não apenas a sua relação pedagógica com os alunos;

se acha que é possível avaliar objectivamente a sua relação pedagógica com os alunos através da observação de aulas e do prenchimento pelo avaliador das grelhas supracitadas;

se tem a certeza de que a sua relação pedagógica com os alunos não se alterará pela presença de um elemento estranho na aula;

se considera que “titular avaliador” é igual a professor qualificado e tudo o mais é “professorzeco” em período probatório;

Então largue tudo o que está a fazer, deixe agora de margem as preocupações com os seus alunos actuais e dedique todo o tempo disponível a definir os objectivos como manda a administração, uma vez que sem eles o processo não pode arrancar.

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Empresas empreendedoras e empresas administrativas

26 01 2008

“As pressões que orientam a empresa para um comportamento empreendedor incluem a diminuição dos fluxos de oportunidades e mudanças rápidas na tecnologia, na economia de consumo, nos valores sociais, nas questões políticas. Os factores que tornam uma empresa menos empreendedora e mais administrativa incluem o contrato social, o critério do desempenho e os sistemas e ciclos de planeamento.

O bom empresário sabe ser criativo e inovador, mas sobretudo aproveita oportunidades. Orienta-se para a acção. Abre janelas para pequenas decisões. Assume a gestão do risco. Desenvolve compromissos para alcançar consensos que permitam uma evolução consequente.” Eduardo Cruz (2006)

Mas porquê esta citação? É porventura o ME uma empresa? Ou as escolinhas?

Claro que não, o ME é uma organização linear à la Fayol, que contratou serviços de marketing para convencer a populaça de que as reformas são no sentido da modernização… E talvez tenha razão, se modernizar significa tornar o ambiente laboral semelhante ao da China, Índia, Vietnam… se modernizar significa esticar a jornada de trabalho do docente até ao limite do impossível, tornando a hora de trabalho cada vez mais barata, se modernizar significa humilhar pessoas de bem, com carreiras limpas e límpidas, de tal maneira que já só saibam obedecer, se modernizar significa isolar a classe promovendo a inveja da populaça do pequeno privilégio do vizinho e desviando-lhe a atenção do grande privilégio e da grande corrupção. Se modernizar é isso então o governo está na boa direcção. Se não é, então está a matar o resto de decência na sociedade portuguesa, o último reduto da transparência de processos, o último lugar onde os concursos públicos tinham transparência. Tinham. Onde as decisões eram cooperativas. Eram…

Aquilo que ainda não disseram, a alteração do vínculo, está guardada para depois das eleições. Isso acabará com o último “privilégio” dos docentes e articulando isso com o decreto de gestão escolar, nem a segurança no emprego restará. Por isso, qual a razão que nos leva ainda a portarmo-nos como vítimas resignadas? O que perderemos? A vergonha e a decência digo eu.

Prepara-se uma sangria mas onde está a solidariedade? Morrerá no dia em que nos alegrarmos com a saída do colega que abre vaga, colega que sai por não aguentar mais, por ter dignidade. Sai penalizado com 30 ,35% de desconto ou mais , mas a populaça ainda o inveja mesmo nisso… Sai com ainda muito para dar, sai triste e revoltado… Mas sai lúcido e com a espinha dorsal direita.

E os que ficam? Qual a posição que vão experimentar, a qual delas se vão habituar, falando de espinhas dorsais?





Outras formas de fazer 2 (avaliação de professores)

20 01 2008

6.3 Monitoring and inspection of teachers

Monitoring and inspection of teachers takes many forms along a continuum from assessment of the work of teachers and implementation of measures to address problems, at one end, to observation of teachers and the provision of advice to them, at the other. All the benchmarked countries are located at some point on this continuum. Techniques employed include self-assessment, peer observation and centrally co-ordinated monitoring. Ireland is currently moving more towards observation and advice as the preferred methodology.

There is assessment of teaching practice at both primary and post-primary levels in all countries. For trainee teachers, assessment is generally undertaken by the college or third-level institution responsible for the teacher training. All countries have classroom assessment of trainee teachers in schools.

In New Zealand, teachers have a two-year probation period after graduation and have to meet Teacher Registration Board criteria (on the approval of the school principal). Every three years, teachers are required to reapply for registration, again having to meet the criteria.

For qualified teachers, an external government body oversees assessment, except in Finland, where staff undertake a joint assessment in schools. In Malaysia, there is assessment by senior staff and observation by peers is encouraged. Malaysia also has a Master Teacher system to acknowledge teacher excellence. At post-primary level, Malaysia relies heavily on assessment by senior staff within schools, with criteria set out in a remuneration scheme. The other countries in the study lie somewhere between Finland and Malaysia.

In New Zealand, external review of practice, but not of individual teachers, is undertaken by the Education Review Office. All schools in New Zealand also operate a performance management system (which includes internal review of teaching practice) and a quality assurance cycle, with comprehensive whole-school assessment every five years, from which results are published.

Specific areas for assessment are identified centrally in Ireland and New Zealand. Ireland is currently engaged in the introduction of whole-school evaluation. In Ireland, the frequency of visits to post-primary schools by inspectors is low.

6.4 Conclusion

All respondents recognise the need to develop a more interactive, problem-solving approach to STM teaching and learning, to provide access to ICT hardware, software and training and to embed ICTs in the core curriculum, but the development process is at different stages in the five countries. The education systems in all countries aspire to giving young people the basic skills required in the modern world and to equip them to solve problems logically. All respondents identify teacher confidence and competence as a key factor and recognise the need for improved pre-service education and in-career development for teachers. The performance of teachers is assessed in all countries, but practices vary.”

Irish Council for Science, Technology & Innovation

Estudo interessante, a revelar que a pedagogia centrada no aluno não é só mania em Portugal. No entanto, é de realçar que haveria que saber em concreto o que cada país entende por esse conceito e como o concretiza. Nada tenho contra a aula activa desde que não absorva todo o trabalho pedagógico. As leis da ciência já descobertas não têm que ser redescobertas na sala de aula… seria melhor transmiti-las e aplicá-las treinando o aluno a saber procurar qual das leis é relevante na solução de um problema do que marcar passo a tentar redescobrir a lei da gravidade ou o teorema de Pitágoras de cada vez que se precisa deles…

Quanto ao assunto do dia- a avaliação de professores- verifica-se, assim, que o país com melhores resultados no PISA não faz supervisão individual dos professores qualificados mas uma auto-avaliação colectiva da escola, tanto quanto me é dado concluir por este resumo. Na “outra ponta” (do estudo de cinco países-Irlanda, Finlândia, Escócia, Nova Zelândia, Malásia) está a Malásia que é por alguns observadores considerada como não democracia ou democracia muito musculada… de relembrar que os bloggers nesse país estão a ter sérios problemas pela divulgação de opiniões contrárias ao governo... A Malásia não faz parte dos países estudados no relatório PISA. Aquilo que faz na avaliação de professores parece-se muito com o que se pretende aqui fazer.





Outras formas de fazer

19 01 2008

A Finlândia serve de figurino só quando convém?

O exame de entrada na Universidade (qualquer) tem três quartos de língua* e 1/4 de assunto específico! Tudo isto dá que pensar… o treino para aquisição da competência linguística não estará na base do treino do raciocínio abstracto-formal e portanto da competência científica e matemática?
Há quem ache que os alunos na Finlândia não são tão bons quanto parecem no PISA (opiniões proferidas em 2004 num blog encontrado por acaso).

E como é a avaliação de professores na Finlândia? Ainda não descobri…
Acrescento que, embora possa parecer frequentemente no meu discurso que acho que detenho a verdade e a solução, isso é apenas decorrente do facto deste blog ser sobretudo um sítio de desabafo… Não pretendo ter a solução nem dizer a última palavra, apenas recuso responder a insultos, a moderação dos comentários existe para moderar o temperamento alheio. Façam um blog e controlem-se, isto é, moderem o tom em blog alheio… é a minha regra de bom viver…

Não deveríamos estar todos a debater questões deste género -por exemplo, saber como se faz nos países com bons resultados-em vez de pensarmos nas grelhas de avaliação que vamos impor aos outros?

Não me oporia a uma avaliação de docentes inter-pares séria e aprofundada que permitisse identificar bloqueios e melhorar o desempenho mas o que vamos ter com a forma de avaliação de professores imposta pela actual equipa do ME terá como resultado a impossibilidade de qualquer debate uma vez que os docentes irão ficar ainda mais atolados em papéis enquanto muitos experimentarão uma revolta paralisante face às circunstâncias injustas e potencialmente humilhantes em que vai ser feita a avaliação.

Nota *Só será menos de 3/4 se o aluno optar por matemática e disciplina de ramo de saber específico como os dois dos três testes a escolher dentro de 4 hipóteses, sendo o teste de língua materna sempre obrigatório.





Avaliação de professores

14 01 2008

Na barra lateral o documento novo do ME. As grelhas novas não encontrei no site do ME. As de Outubro estão no site da FENPROF que também acrescentei à barra lateral.

Comprimidos para a azia e mal estar estomacal não faço propaganda de nenhum, tome antes um chá de camomila (Matricaria Recutita) ou de erva cidreira (Melissa Officinalis).

Deixem-me sonhar um pouco: desobedecer começaria pela recusa ao preenchimento da auto-avaliação. O povo português pelo contrário irá dar a volta e começar por preencher de forma humilde e realista , depois o coordenador porreiraço ratifica. E minimizaram-se os estragos nas escolinhas “cool”.Outras haverá que levarão a coisa mais a sério e agora é que é, e vai daí foram ao sótão e fizeram baixar os livros do estágio a cheirar a naftalina extremamente actuais pois há 25 anos que estão os mesmos nas escolas de Educação e no ME a debitar Eduquês…para torturarem quem lhes calhou como subordinados…

Única resposta pacífica eficaz: desobediência civil… vestidos de negro ou de branco recusarmo-nos a esta farsa, a este nojo… não preenchermos. Até porque legalmente podemos fazê-lo- quem nos vai avaliar não foi ainda avaliado, ou acham que o concurso a titular e os pontinhos da nossa vergonha foram AVALIAÇÃO??????





Gestão das escolas

14 01 2008

Foram adicionados links na barra lateral para a petição (publicada em http://educar.wordpress.com/ e o abaixo assinado do sindicato.

Assinei os dois de impulso. Devo dizer que o 115 já era um aborto, aquela assembleia de escola tinha já muito que se lhe dissesse. Também o que se passa actualmente com a gestão dita “democrática” tem também muito que se lhe diga. Conferir o que sobre isto diz Mithá Ribeiro em “A pedagogia da avestruz”. Subscrevo o que diz sobretudo quando descreve a obediência canina dos conselhos executivos ao executivo e desprezo por quem os elegeu até uns meses antes das novas eleições digo eu, período onde aliviam a carga de trabalho sempre que possível, criticam o executivo com ar jocoso e distribuem sorrisos… enfim o que vem aí será apenas pior, a responsabilização necessária nunca virá nem de cima bem de baixo, trata-se de ratificar o assalto ao poder nas escolas pelos partidos …

Quanto a este tema quero deixar já algumas reflexões:

O directorzinho vai ser um dos professores que já actualmente mais “riscam” na escola, nada vai mudar, ele será o chefe de lobby que já lá está, apenas terá mais poder. A assembleia será tomada pelos partidos mais claramente, e nada nem ninguém poderá influenciar a gestão, o CP será o que já é, o órgão de apoio à obediência canina… os coordenadores serão nomeados… mas com o concurso de professor titular isso já aconteceu: eleições só nos departamentos com mais do que um titular, criando condições para o caciquismo :” tu eleges-me e eu facilito-te a vidinha na avaliação”… Por isso já nem a eleição de coordenadores poderá fazer a diferença. A GESTÃO DEMOCRÁTICA DESAPARECEU DEFINITIVAMENTE NO DIA EM QUE SAÍRAM AS LISTAS DOS PROFS TITULARES. Tudo o resto é discurso…

Está na altura, portanto de pensarmos numa participação autónoma dos professores enquanto trabalhadores num qualquer órgão independente de observação e fiscalização dos actos de gestão, uma espécie de comissão de trabalhadores à semelhança de.. não não é de Cuba, estou a pensar nas empresas alemãs… Nas escolas não estando fortunas em jogo não seria possível a corrupção acho eu. É que com o novo modelo os docentes serão apenas mão de obra escrava, a não ser que se relacionem com os poderes políticos dentro e fora das escolas. ISSO JÁ ACONTECE HOJE, com a assembleia eleita pelos professores. O 115 não nos protege contra este fenómeno (nem o 112…. 🙂 ). Este fenómeno ficará ainda mais patente mas legitimado agora no órgão que vem substituir a assembleia, onde o peso do voto dos professores é menor que naquele diploma. Desculpem o pessimismo, mas “eles” já ganharam , os professores parecem zombies cumprindo tudinho o que vem de cima , com o pavor da avaliação, alguns até voltaram a fazer como no estágio, pois há coleguinhas avaliadores mais papistas que o papa…

Ontem vi de novo o filme Gandhi. A sua forma de luta está ao alcance de todos e chama-se desobediência civil…. nós por cá temos abaixo assinados e vigílias… de eficácia conhecida… os professores não são individualmente heróis, não ouviram nenhum sindicato a chamar à não participação no concurso a titular, os sindicatos ajudam o governo no semear do medo , pois a estratégia sindical aconselha que se pinte a manta em cores carregadas… quando as coisas acontecem até nem parecem tão negras… enfim. A desobediência civil resultaria se fossem todos a dizer não ou pelo menos a esmagadora maioria a dizer não… as pessoas sabem que são poucos os que estão dispostos a isso e acobardam-se ou fingem que nada é com eles … a avestruz uma vez mais.





Ensino Profissional e o facilitismo por mandamentos hierárquicos orais

3 01 2008

Todo o figurino que é descrito e regulado pelas leis e regulamentos dos cursos profissionais (leis ainda em vigor actualmente ) aponta para um ensino intensivo, mais prático que teórico, mas intenso e exigente. Mas que interessa o que diz a lei? Que interessa que a lei aponte para um controle apertadíssimo da assiduidade do aluno, se o executivo já decidiu dar “oportunidades” a TODOS?! Nada de ter a chatice de fazer nova lei, qual quê, não é preciso, basta avisar as escolinhas das intenções do executivo e elas terão que obedecer ao executivo e não às leis…e mais nada. Não é preciso perder tempo com articulados novos a dizer preto no branco que se pretende dar diplomas a torto e a direito, nem ficaria bem, assim, dizer isso de forma tão clara…

A palavra de ordem superior é então: “NÃO CHUMBARÁS”!

Não chumbarás em caso algum o teu aluno do profissional, ainda que ele não venha às aulas e traga depois um papelucho dos centros de saúde privados a dizer o que for preciso para fazer desaparecer as faltinhas. Compensarás as aulinhas que ele perdeu, caso não faças desaparecer as faltinhas….

Facilitarás na avaliação, se a criatura não for lá com exame com as perguntinhas ou exercícios normais , mandá-lo-ás fazer em casa um trabalhinho…

Facilitarás a todo o custo, ainda que isso te dê vómitos, te revolva as tripas, passarás o teu aluno ainda que nem te lembres bem já da cara dele …

ou então… ou então…

…não esqueças nunca que serás avaliado pelos “progressos” dos teus alunos e por aquilo que fizeste ou não fizeste no sentido de “reduzir” o insucesso escolar…

Terás o merecido castigo se persistires em cortar as perninhas à nossa mui saudável e afoita juventude… PAGARÁS!