Sou mesmo conservadora…

30 03 2017

Adivinham-se tempos conturbados na educação. Reformas do currículo: assustadoras algumas propostas, assim à primeira vista. Mas não vou perder tempo a estudá-las. Isso é para os especialistas. O que eu adivinho é outra coisa. Se for deixada rédea solta às escolas ou à geringonça para “revolucionar ” a Educação , ou seja , uma vez mais instalar o caos nas escolas, haverá festival para alguns e ranger de dentes para outros. Prevejo que haverá aqueles que apoiam, haverá mesmo muitos que apoiam, sobretudo os diretores e seus apaniguados. Apoiam . O que quer que seja. Pois sabem que se apoiarem ficarão bem vistos pelo poder central e depois logo se verá como manter os horários dos amigos. É para reduzir carga horária? Corta-se nas disciplinas dos menos amigos, arranjam-se sempre formas de distribuir a penúria. Tudo vestido de roupas revolucionárias, com muita inter- pluri- trans- disciplinaridade…. Quanto aos conteúdos… logo se verá. Haverá festa, “munta” experiência piloto que se transformará rapidamente em rumo, medida ou regulamento obrigatórios   a aplicar em todas as escolinhas, quer achem bem quer não. Os profs aceitam qualquer coisa , já estão por tudo, já só querem é que lhes digam que os  seus horários se mantêm.

Sabem que mais ?

E se estivessem quietinhos ?  E se apenas se ocupassem a ver o que está mal nos programas ou na gestão temporal dos mesmos? Se olhassem para o ensino que temos com olhos de ver? Por exemplo se de uma vez por todas procurassem uma solução para o problema da disciplina na sala de aula que , a meu ver, tem  invadido espaços nunca antes sonhados?

E se pensassem antes de baralhar tudo?

Não conseguem, sempre que o PS está na Educação temos barafunda!

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Disto também me livrei… outra vez os projetos e o festival concomitante

27 03 2017

Pois é , parece que voltaram as manias dos projetos e transversalidades… Nada tenho contra a última, mas devo dizer que a flexibilização necessária à dita transversalidade apregoada no meu tempo nunca aconteceu, cada um tinha o programa para dar e justificações no final do ano quando ele não era completado…. As flexibilidades e “transversalidades” do meu tempo acabaram numa disciplina chamada “projecto” que então tinha “c” antes do “t”… Quem “deitava a unha” a essa disciplina era normalmente quem fazia parte dos lobbies do poder escolar. E os iluminados sabiam tudo de todas as outras disciplinas e faziam a transversalidade que bem entendiam , falando com os colegas que achassem por bem agregar ao “projeto” sobretudo na parte de execução das “feiras” ou “festas” ou viagens de “estudo” algumas vezes chamado “trabalho de campo”. Lembro-me de um projecto , era o ciclo da água ou do pão, já não me lembro e levaram o ano todo nisso… bem, deve ter sido muito transversal…

Só acrescentar que fiz há muitos anos uma única experiência de interdisciplinaridade com uma colega de História com alunos do 9º ano. Muitas horas de trabalho pela noite dentro, algumas diretas. Outros tempos, eramos ambas jovens , havia a disciplina de Introdução à Economia no 9º ano de escolaridade, por isso já estão a ver que foi há muito, muito tempo. Os alunos também eram um pouco diferentes na altura , os programas mais exigentes, apesar de não haver exame no 9º ano tanto quanto me lembro. De realçar que lhe chamei interdisciplinaridade. A experiência foi muito gratificante, os alunos gostaram. De acrescentar que a experiência não foi feita à custa do programa ambas o completámos . Saberão as pessoas do que estão a falar quando referem “transversalidade”?

Tenho lido o “Quintal” sobre este assunto… Que perda de tempo, a do autor, não a minha por estar a lê-lo, nada de confusões :-). Ainda vão dizer aquilo que eu própria penso.. afinal, está contra ou vai atrás até porque já fez um trabalho de transversalidade? Note-se que não duvido que tenha sido mesmo transversal. E como resultou? Fiquei interessada. Mas como prometi há uns tempos, nada de links.

Se o preço dessa transversalidade é o corte drástico de programas para obrigar os profs a fazerem parte desses festivais , sou contra. Há instrumentos conceptuais específicos que se adquirem em cada disciplina. Pena é que quem faz os programas não procure que haja alguma transversalidade, mas cada disciplina na sua área. O que se assistiu nestas décadas foi à inclusão dos mesmos temas em todas as disciplinas possíveis e temos ambiente, desenvolvimento humano e globalização em todas as disciplinas , até à náusea. E vai-se a ver e no fim os garotos pouco sabem desses temas embora tenham feito trabalhos “magníficos” sobre eles em várias disciplinas. Pena eu descobrir nas aulas de Economia que achavam o dióxido de carbono um veneno, que causava o buraco do ozono e outras prendas assim…. Pobre CO2. Entretanto o CO e outros mauzinhos passavam despercebidos  e ainda morrem pessoas por adormecerem frente a uma lareira e outros que metem o gerador dentro de casa… 😦 . Em suma, poluição, efeito de estufa e buraco do ozono naquelas cabeças era uma única coisa…Hehe… É que eu também tinha que dar “ambiente”e “sustentabilidade”… os colegas de Geografia tinham de dar isso tudo também mais o desenvolvimento económico e humano que eu também obviamente dava… entretanto os alunos não sabiam que o sol se põe a oeste, achavam que os rios corriam todos de norte para sul, a latitude e a longitude e mais os fusos horários eram algo inacessível ao comum dos cérebros. Felizmente, alguns tinham atividades de “orientação” com os colegas de Educação Física. Alguns. Bem isso agora não interessa nada, é como a divisão, quem é que no 12º ano de matemática sabe o algoritmo da divisão sobretudo a decimal? E qual o interesse de saber onde fica Sidney ou o Reno e as capitais dos países e situá-los num mapa? Há as máquinas, a internet e o google e quanto às coordenadas da terra há o GPS , alguém precisa dessas matérias específicas das disciplinas que têm por base uma ciência (social ou natural ou exata , como queiram) com os seus conceitos, teorias e saberes só para matar a cabeça às criancinhas? E quem sabe “traumatizá-las”?





Hino da UE

25 03 2017

O hino não tem letra como se pode ver aqui: Hino oficial em mp3

O poema de Schiller é a mensagem fundamental , na minha opinião. Por isso vou colocar aqui a versão mais completa. De margotlorena (melhor verem já, pois com outras obras tem havido problemas de direitos de autor, infelizmente, pois o trabalho que ela tem feito de ligar a partitura à música devia até ser estimulado, mas o you tube tem sistematicamente removido os vídeos dela). Esta versão vai um pouco depressa demais para o meu gosto, mas é interpretada por europeus e tem a letra completa.Não encontrei outra versão integralmente europeia a não ser a do Karajan que já aqui coloquei em tempos e não tem a letra. Quando passar a data do 60º aniversário da assinatura do tratado de Roma, vou colocar aqui a versão dos dez mil japoneses. Fica prometido. Por agora este:





Tratado de Roma: 60 anos desde a assinatura

25 03 2017

Tratado de Roma (1957)

Museus Capitolinos, em Roma, onde foi fundada a CEE em 1957.

O Tratado de Roma é o nome dado a dois tratados:

Foram assinados em 25 de março de 1957 em Roma pela Alemanha Ocidental, França, Itália, Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo. Entrou em vigor em 1 de Janeiro de 1958.

A assinatura deste tratado é o culminar de um processo que surge após a Segunda Guerra Mundial, que deixou a Europa económica e politicamente destruída, e fragilizada face às duas superpotências: Estados Unidos e União Soviética.

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21 de Março 2017, mais um dia em que vamos ouvir propaganda enganosa das celuloses

21 03 2017

Meu pai faria hoje 94 anos. Lembro-me sempre desta data que normalmente marca o início da Primavera. Ainda há sol. Amanhã já não. Apesar da saudade imensa, penso que é melhor que não tenha assistido à concretização de mais uma das suas “profecias”. Estou a pensar no “Portucalipal”, como lhe chamou, o imenso “estaleiro” de “talhadia de eucalipto” (relembro que meu pai se recusava a chamar-lhe floresta e já aqui expliquei porquê) em que se transformou o país. Em particular o que aconteceu em Vila Nova de Poiares: tudo o que era carvalhal ou pinhal se transformou em eucaliptal. Arrancam tudo com retro-escavadoras e vai tudo atrás, pinheiros, carvalhos, salgueiros, vimeiros, etc, todos os exemplares espontâneos da floresta nativa, vai tudo, até sobreiros, só escapam os que estão já altinhos e ainda é proibido deitá-los abaixo. Só podem deitar abaixo os sobreiros os consórcios de turismo amigos do Sócrates no tempo dele e outros ou os mesmos consórcios amigos do poder nacional ou local em cada momento histórico, pois eles sabem sempre com quem devem falar, seja qual for a cor que esteja no “poleiro”. Os sobreiros que escapam à voragem acabarão por ser afogados em eucaliptos que lhes tiram a luz e os nutrientes.
Pois é , tendo falecido há já 11 anos, meu pai já não vê aquilo que previu. O pior (ou melhor , não sei bem) é que eu acho que lá onde está, ele vê. Acredito que lá onde está também haverá uma forma mais distanciada de olhar para tudo isto. Pois lá onde está acho que a dimensão espaço tempo é diferente e talvez possa ver , num futuro , distante para nós, mas relativamente próximo para quem está com Deus na eternidade, a natureza um dia a vencer essa raça danada de vampiros que deformaram por completo a seu proveito o conceito de floresta e insultam o criador quando arrancam floresta verdadeira e nativa, vinhas, culturas para substituir por uma árvore australiana que não deixam que se transforme nunca na imponente árvore que é, que não deixam crescer de forma a que comece a devolver ao solo aquilo que de lá sugou. O eucalipto não é o culpado, deslocaram-no do sítio de onde é nativo, onde se transforma em floresta verdadeira , com bosque, sub-bosque e manta morta e fauna e flora completas que caracterizam uma floresta. Vão-me dizer que muitos terrenos estavam a mato. Pois estavam. Chamavam-lhe pousio noutros tempos. E , como meu pai explicou várias vezes, no meio do “mato” estão a crescer as árvores nativas. O mato debaixo da floresta é o sub-bosque que abriga toda a espécie de fauna (não esquecer as abelhas, por exemplo). Só que , tanta foi a publicidade enganosa a respeito da necessidade de “limpeza” da floresta que as pessoas vêem lixo onde não há lixo nenhum , mas arbustos e árvores jovens que se confundem. Os chamados matos são o alimento da floresta!!!!!!!!!!!!!!!!!!!1 Eles são arbustos que em parte secam e apodrecem, juntamente com os ramos das árvores e folhas, transformando-se em matéria orgânica que alimenta a floresta , sem a qual nada cresce em lado nenhum. Só o eucalipto parece crescer espontaneamente nos terrenos ardidos ou ditos estéreis? Mas não. Também o pinheiro, os carvalhos, o sobreiro. Assim os deixassem crescer. Nos terrenos menos férteis o eucalipto também precisa de adubo e o produtor sabe bem disso. Vai sugar tudo , o adubo e mais ou que lá ainda houvesse, como a água, vai fazer secar as fontes e linhas de água. Mas nada disso importa. Os senhores do poder e do dinheiro que se confundem como praga que são , seja qual for a cor, vão dizer-nos que o que é preciso é que o PIB cresça, não importa como. Já aqui uma vez disse e repito. Então por que razão não cultivam papoilas do ópio? E não desenvolvem a indústria do armamento em Portugal ? Aliás, já fomos especializados nesta última produção aqui há umas décadas. Na terra do vale tudo, nada disso seria muito diferente do que o que estão a fazer com o futuro do fundo de fertilidade das terras de Portugal altas e não altas. Meu pai não era contra o ordenamento da floresta, o que é algo muito diferente dos programas de limpeza drástica e plantação maciça e em linha de eucaliptos em regime de talhadia. Ordenar a floresta não é intensificar a produção de mono-culturas!!!
Como dizem os franceses : “n’importe quoi”.





Erdogan continua com provocações

19 03 2017

E não vi ainda nada de mais sério acontecer como resposta por via diplomática por parte da Alemanha. Não tenho informação suficiente para entender tudo isto. Mas o homem não está a contar piadas , está a falar a sério. Pois´é e a propósito de coisas sérias relembro duas notícias importantes datadas de 2016: esta e mais esta.





Ganhou a inteligência nos Países Baixos!

16 03 2017

Gefeliciteerd, Nederland!
O discurso fácil do populismo foi derrotado! E não acho que haja um populismo certo e outro errado, como disse Rutte. O populismo é sempre errado precisamente por se basear num discurso primário, fácil nas explicações, por apelar para as emoções mais básicas do ser humano, estimular o sentimento de pertença a um grupo ou nação associando-o ao ódio ao “outro”. Isso faz Wilders e Le Pen e Erdogan, mas também o fez quem andou a espalhar cartazes com a Merkel com bigode à Hitler e isso , meus senhores, foi a esquerda populista radicalizóide!
Acrescento que apesar de tudo, talvez a forma como Rutte lidou com Erdogan tenha contribuído para os resultados. É que ele, de facto, não vacilou e mostrou que na Holanda mandam os Holandeses. Outros haveria, por cá , por exemplo, que davam o c… perdão o estádio nacional para que os senhores turcos na emigração fossem saudar e reforçar o poder do ditador em grande! Só não aconteceu porque não temos muitos turcos por cá. Mas vistos gold já os há. Cá por mim, desde que saibam quem aqui manda e não tragam os erdogans, mais a sharia, são sempre bem vindos, desde que seja para trabalhar e não só para o subsídio… eh eh. O subsídio aqui é tão baixo que só mesmo os ciganos ficam contentes pois têm outras fontes de rendimento. Por isso quase todos os imigrantes na Europa querem a Alemanha, a Holanda, a Bélgica, e outros assim e, até ver, a França. Bem e chega de politicamente incorreto…. Ganhou a democracia claramente e os Holandeses mostraram que não são britânicos e não querem sair da UE nem hostilizar muçulmanos apenas por serem muçulmanos. É uma país onde os bois são nomeados pelos nomes. Não precisam do Wilders e do seu nacionalismo bacoco para dizerem o que pensam quando é necessário fazê-lo.