O tempo das alergias

23 06 2018

Como já tive ocasião de escrever aqui e no face , o Verão é para mim a pior época do ano. Voltaram alergias várias. Nunca fui alérgica, pelo menos de forma severa, a nada, felizmente . Agora deve ser da idade estou alérgica ao poliester , elastano, poliamida e todos os plásticos com que as lojas se enchem nesta altura (como em todo o ano, aliás) , sobretudo as lojas de roupa feminina. Agora só compro 100 % algodão ou muito perto disso pois é difícil encontrar puro algodão. Há ainda a malandrice, ou seja, etiquetas de material agressivo a afirmar 100% algodão e algum tempo depois formam-se aqueles borbotos tão característicos do plástico que levou à mistura. Tiro as etiquetas todas e às vezes até estrago roupa pois é difícil tirá-las, devia ser obrigatório que fossem do mesmo material. Vejo muita gente a comprar poliester e interrogo-me sobre este fenómeno. Sempre me senti desconfortável com essse material, mas agora estou alérgica, formam-se babas como se tivesse sido mordida por inseto. Serei eu caso único? Nem vou ao médico , já verifiquei que é o material que provoca as reações cutâneas. Ir ao médico para quê? Sei o medicamento anti-histamínico suave que tomo e que alivia sem curar. Não são insetos pois o mesmo acontece no inverno, desde que haja contacto direto com a pele das ditas fibras, só não sei exatamente qual é a fibra pior, só sei que é uma ou várias ou todas as derivadas do petróleo. Vou assim comprando algodão e viscose (esta derivada da celulose).

Para trabalhar no campo preciso de algodão puro. Como não há algodão puro para as mulheres compro às vezes t-shirts de homem , o small deles está-me mesmo bem. Para trabalhar no campo preciso de ir vestida dos pés à cabeça, tipo ceifeira do arroz. Esta é a altura em que há insetos de toda a ordem ao ataque bem como sementes variadas a voar baixinho. Vou tomando anti-histamínico em comprimidos mas, mesmo assim, sofro na pele, no nariz , nos olhos. Só queria que passasse este tempo depressa, quero o Outubro fresquinho de preferência, quero o Outono…

Quero o Outono , ou seja, desejo saltar o Verão, mas ainda faltam estes meses de calor (serei alérgica ao calor?), de insetos (sei que sou a alguns), de futebol (serei alérgica ao futebol?), de cerveja a mais por todo o lado (serei alérgica à cerveja a mais por todo o lado?), de festivais e festarolas por todo o lugarejo. Feiras de dimensão importante que se anunciam pelo artista que vem em cada noite e não pelo interesse económico que têm. Serei alérgica a festas e festivais? Não devo ser, pois se forem no Inverno os sintomas não se manifestam.

Assim vou desejando que o tempo passe depressa… e depois ele passa mesmo e estamos outra vez no Natal e dou por mim mais velha um ano. Não na mente e enquanto for só no espelho ( e no esqueleto uma dor aqui, outra ali) não me importo muito. Quem não gostar de rugas que não olhe, mas não esqueça que o espelho não mente a ninguém e um dia… lá estará do outro lado a outra imagem de si ….que provavelmente é o mesmo ou a mesma de há muitos anos por dentro, mas não por fora 🙂

Pois é , é o fora que vai condicionando o nosso relacionamento com os outros numa sociedade onde o parecer e os acessórios vão sendo cada vez mais determinantes. Da esquerda à direita, de uma ponta a outra, onde menos se espera , de quem menos se espera, é assim cada vez mais. Isto não se passa apenas com as rugas e a obcessão de se parecer jovem , passa-se com muitos outros aspetos como sabemos. E abdicamos do essencial e submetemo-nos ao acessório. Todos nós em diversas medidas, claro . Eu também.

Será que estou a ficar alérgica a espelhos?

PS : o leitor compreenderá que escreva sobre banalidades, afinal  esta é a silly season … vai haver mais destes posts até alguns sobre culinária quem sabe…

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“Where have all the flowers gone?”

21 06 2018




Vou vendo a banda passar…

12 06 2018

Vou acompanhando o que se passa com a educação e os professores, pois isto de estar aposentada não me retira a identificação com a profissão que desempenhei mais de 30 anos. Assisto ao retomar dos processos de MLRodrigues e comitiva. Parece um 2007/8 reloaded!  Receio que agora haja menos energia para resistir depois do que aconteceu há dez anos. Os professores atrevem-se a querer que o tempo que trabalharam em congelação seja contado na íntegra para a progressão…. Que atrevimento querer que o trabalho seja levado a sério por quem o considera como nada! Estes que desprezam os professores e os consideram como nada são os que foram postos no poder por quem votou contra Passos Coelho. Não consigo achar divertido , não me apetece dizer “agora aguentem” até porque muitos não votaram na geringonça . Aliás, a bem dizer ninguém votou na geringonça, ela auto-assemblou-se, perdão, isto é um anglicismo, auto-montou-se , calculo que seja a expressão portuguesa…

Bem , e agora? Agora assinem ao menos a Iniciativa Legislativa para contagem de todo o tempo de serviço, uma boa ideia, fazer uso dos instrumentos poucos de que os cidadãos ainda dispõem para fazer chegar ao parlamento uma lei . Também é  inédita, acho eu,, não conheço mais nenhum caso . Ainda faltam 3 mil assinaturas e há um prazo que está a decorrer. Custa muito ir ao site do Parlamento? Colocar o número de CC e o de eleitor? Não, não custa nada. Com 20 mil é obrigatória a discussão em plenário e votação . Ora a votação é muito importante. Como votará a geringonça???? Acho que o desfecho dependerá muito da posição assumida pela oposição que entre caçar votos e acautelar o futuro …, preferirá que não se discuta, não é? Pois é , mas que tal obrigá-los todos a pensar , coisa que fazem só de quando em vez…?

Atualização a 18_06_2018: Já vai em 20500! Muito boa notícia. Continuem a assinar pois 20 mil é suficiente para a ILC ser discutida e votada no Parlamento obrigatoriamente, mas se forem muitos mais de 20 mil mais força terá a proposta de lei.





O tema do Lemos: “Corações animais” de Zé Ramalho

5 06 2018

Dedico esta música não apenas ao Paulo Gorgulho pelo desempenho fora de série na telenovela “Essas Mulheres” , no papel do tio Lemos , mas também àquele a quem esta música tão bem se adapta e cujas parecenças físicas com o Lemos  foram sempre uma evidência pelo menos para mim, ou seja, dedico-a a Sócrates 🙂 !

Paulo_Gorgulho

Paulo Gorgulho por alturas da série “Essas mulheres” em que fazia de Lemos

Atualização em 13_02_2019

Alargo a dedicatória: a todos os que , sem escrúpulos nem problemas de consciência constroem armadilhas vis de forma premeditada e reiterada , durante anos a fio, e pela calada, precisamente às pessoas que um dia os ajudaram na hora da aflição. Considero Sócrates eticamente acima deste tipo de pessoas. Sócrates está já a sofrer o castigo político das coisas más que terá feito (está na justiça, fortes indícios de ter roubado os contribuintes). Sócrates odeia  classes profissionais, este ou aquele juíz. Esses de quem falo dão facadas pelas costas a  amigos que os apoiaram . Esses de quem falo usam os amigos em seu proveito, vão enganando  com sorrisinhos  e difamam pessoas com estórias falsas de vitimização . Sócrates nunca conseguirá fazer passar essas estórias a um país inteiro.





Agora só resta a RTP2

4 06 2018

Acabou a telenovela “Essas Mulheres”, na CMTV. Transmitida intermitentemente, foi complicado seguir os episódios sem irritações pelo meio, sobretudo quando eram substituídos por “alertas CM” sobre desgraças ou com episódios da telenovela chamada “Bronco”, perdão “Bruno” e o vendaval no sporting…

Faz -me falta no fim do dia , o elenco era bom, um lote de atores de alto nível. O Paulo Gorgulho foi insuperável naquele papel do Lemos ! Nos últimos episódios a sua atuação ofusca completamente a dos outros que , aliás, parecem todos cansados e aliviados com o fim :-). Fui ver um por um , como estariam 12 anos depois, cada um deles. Não estão nada mal . Fiquei a saber que na vida real a Mila está casada com o Cunha 🙂 Imagine-se! Também o Cunha foi muito bem representado (Roberto Bomtempo). Miriam Freeland foi fenomenal no papel de Mila, Bom trabalho de direção de atores por certo, mas ela cria uma personagem verosímil , nada fácil.

Não vou dizer mais nada, realço que achei mesmo o enredo bastante bem imaginado, os textos muito razoáveis, considerando a pobreza a que nos habituámos nas últimas telenovelas, portuguesas ou brasileiras, das quais , aliás vejo um ou dois episódios e desisto.

Escrevo isto  agora , para me distrair do que está a dar neste momento na RTP1 , muito importante, mas difícil de ver , é mesmo impressionante , não aguento ver o sofrimento real seja de humanos seja de animais… cada vez menos. E um dia destes torno-me vegetariana.

Pouco tempo tenho por estes dias, mas preciso de um momento de evasão no fim do dia. Refugiar-me-ei na RTP2, tem séries europeias com bom nível. Séries americanas já não aguento.