Quem já leu a proposta de estatuto do aluno?

31 03 2010

A FENPROF e a FNE? As Associações de Estudantes? Os Deputados da Nação?

Será que para além destes, alguém já teve a oportunidade de ler na íntegra a proposta de estatuto do aluno? Devo ser eu que ando distraída e não encontro. No site da Fenprof, procurei mas não encontrei, deve estar algures escondido. Está lá bem visível o protesto apresentado à RTP, ao programa Prós e Contras. Têm razão,deveriam ter sido convidados juntamente com a FNE, aquela “federação” que lá foi não sei o que é nem quem são os federados e nunca ouvi falar deles, talvez federação dos profs columbófilos ou coisa parecida… Mas tenho que deixar aqui uma nota de interpretação pessoal ( isto é , o mundo visto pela minha lente): é que não me parece que a disciplina nas aulas e fora delas tenha sido bandeira  da Fenprof, foi (e ainda é)sempre  ambígua a sua mensagem, agora atacam a violência escolar mas receiam as palavra “disciplina” e “disciplinar”, por uma questão de trauma, talvez lhes lembre o regimento ou estatuto disciplinar da função pública ou, pior um pouco, o RDM (Regimento de Disciplina Militar). A bandeira do reforço da autoridade do professor  é recente na FENPROF, demasiado recente. Dar aos alunos um espaço que não podem ter por incompetência foi defendido a propósito da gestão das escolas e não só. Não tenho documentos, nem estou preocupada em provar nada, todos sabemos que assim foi e assim é,  só muito recentemente o discurso endureceu um pouco, face ao pandemónio em que se transformou o sistema educativo público em resultado das políticas educativas sustentadas “teoricamente” pelo discurso eduquês das “Ciências” da Educação, discurso que , tenham santa paciência , foi o discurso da FENPROF durante muitos e largos anos.





Pedir desculpas é melhor do que branquear

31 03 2010

Público:

«Ratko Mladic permanece em fuga

Sérvia pede desculpas formais pelo massacre de Srebrenica
31.03.2010 – 09:44 Por PÚBLICO

O Parlamento sérvio aprovou uma resolução pedindo desculpas formais pela morte de milhares de bósnios muçulmanos em Srebrenica, em 1995, o mais atroz massacre na Europa desde a II Guerra Mundial. […]»

Cá está uma notícia para Ana Gomes comentar. Esta e a dos submarinos que tem mais a ver com Portugal. O massacre ficou à responsabilidade da força holandesa presente, que não sei se pediu desculpas formais, ou não… as últimas notícias sobre o caso informavam de que alguém importante terá atirado as culpas para a presença de homossexuais nas forças armadas. Esqueceu-se das mulheres que também as há nas forças armadas? Ou achará que destas, só as lésbicas são passivas e pouco agressivas, já que terá faltado agressividade na ocasião para defender aquela população…. Pois, acho que está tudo a ficar tresloucado. Mas concordo com alguém citado no artigo quando  afirma que primeiro há que capturar o criminoso Ratko Mladic (acusado de crimes contra a humanidade, como o genocídio) e fazê-lo pagar pelos seus actos.

Quanto aos submarinos transcrevo o comentário que deixei no Público, na sequência do comentário de um leitor que diz (e muito bem) que quer reaver os 2000 euros que os submarinos custaram a cada português.

Qual o papel do nosso super comissário nesta negociata? A UE não se importa com esses pormenores…
Talvez nada tenha recebido, não estou a acusar ninguém, mas ele próprio terá interesse em esclarecer a opinião alemã mais ainda do que a portuguesa ( pelas razões conhecidas: os Alemães são mais e com a França dominam a UE).
Pessoalmente, independentemente de ser prioritário reaver o dinheiro de subornos (tarefa impossível, com os off-shores), prefiro reaver o dinheiro dos estádios construídos à doida e em amplo consenso partidário, estádios que agora estão vazios, sem aproveitamento nenhum e a custarem uma fortuna em manutenção. É que se os submarinos foram adquiridos, pelo menos servem, com os F16, para aguentar 30 minutos de resistência contra ameaça externa (dos extraterrestres ou outros assim…) Os estádios não servem mesmo para coisa nenhuma , apenas sugam o contribuinte e estragam a paisagem.





Nas direcções das escolas, é só bailarinas…

30 03 2010


Procurando bem…
Todo mundo tem…
Procurando bem…





Katia Almayeva (13 anos) e …”prós e contras”

30 03 2010


Nem oito nem oitenta… A busca da excelência nesta idade pode tornar-se obsessão perigosa. Acho Katia magra demais, mas pode ser ilusão de óptica…
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“Conta, peso e medida”, diz o povo, e é mesmo isso que tenho a dizer a esta hora tardia depois de assistir à segunda metade do programa “prós e contras”. Quando só os suicídios fazem pensar nas responsabilidades das direcções, e apenas isso, fazem pensar, nada mais acontecerá, estamos já num nível de não retorno. Não vejo grandes hipóteses de solucionar o problema da indisciplina e da violência gratuita. Ninguém aproveitou para saber o que pensam os estudantes desse problema. Como solucionar? Dialogando? O Feijó sabe bem que isso não iria resolver coisíssima nenhuma; mas deixaram-no fazer a demagogia barata com a história dos ratinhos e dos choques eléctricos, quando a sua boa cabeça poderia ter contribuído com melhores ideias, decerto saberia gerir a conciliação dos apoios dos seus pares com as suas opiniões que me pareceram bem mais elitistas do que qualquer um dos intervenientes…





Escola Pública e PISA

29 03 2010

Os defensores da escola pública como o grande saco inclusivo, que deve criar soluções à medida de cada um, já alguma vez se deram ao trabalho de ler os Relatórios PISA? Os seus argumentos a favor da escola pública inclusiva de tudo e mais alguma coisa, incluindo a pre-delinquência ou a delinquência pura e dura, são argumentos que não vão muito além dos chavões “todos têm direito ao sucesso”,”é melhor estarem na escola do que na rua” (é melhor para quem? para quem se recusa a querer aprender e faz de alguns espaços escolares, se não de todos, o seu território onde impõe as suas leis?)  e não  definem conceitos fundamentais como: o que é o sucesso?

Os níveis de saída das várias escolas são muito diversos e o ensino profissional não é aferido a nível nacional, desde que foram determinadas por portaria, salvo erro, as várias vias de conclusão do secundário, dispensando a avaliação externa do ensino profissionalizante. Seria bem útil termos um PISA para as “literacias” dos alunos e mesmo dos cidadãos em geral com idades entre os 16 e 0s 21. Os defensores da inclusão a todo o custo, alguma vez se deram ao trabalho de considerar a validade dos resultados do PISA e daí retirarem as conclusões? Há estudos que o fazem especificamente para o caso português , por exemplo o do GAVE (*). Os defensores da grande cloaca inclusiva não se preocupam com o facto da escola pública debitar, no mercado de trabalho ou mesmo no ensino superior, pessoas com níveis completamente diferentes nos conhecimentos e nas competências nas três “literacias” testadas no inquérito PISA? Acharão que não é preciso estudar o PISA, que as classificações internas são suficientes e já dão muito que pensar, que os rankings são uma dor de cabeça incómoda, muitos acharão ainda que as comparações internacionais das competências dos alunos com 15 anos só interessam a ratos de biblioteca. Nem os políticos nem os ditos “especialistas” lhe deram algum valor especial em Portugal. As parcas melhorias  de resultados de ano para ano já lhes servem. E de resto , como há casos piores, ficam todos contentes com as “performances” dos alunos adolescentes em Portugal.

Está on line o relatório de 2006 (para a literacia científica), se se derem ao trabalho  de consultar, o volume 1 está disponível em Inglês, Francês, Espanhol.

Resumo em Inglês do relatório de 2006 para a literacia científica 

(*) O relatório nacional do GAVE para a literacia científica em 2006  é muito interessante , ficamos a saber, por exemplo, que as melhorias se têm devido sobretudo ao facto de ter aumentado o peso dos alunos do 10º ano que “puxam” os resultados para cima, apresentando performance superior à média europeia. Eureca! Os países com melhores resultados têm poucos alunos com 15 anos no 7º e 8º anos de escolaridade, diz o estudo, há muito menos retenção naqueles países…. Pois é, nós temos mais alunos  no 7º e 8º que já deviam estar pelo menos no 10º , muito embora haja coisas estranhas … em 2003 foram testados alunos do 11ºano e o peso do 10º ano foi sensivelmente superior a 2000 e a 2006. Não pondo em questão, por agora, a forma como se procedeu à selecção da amostra, a análise por anos de escolaridade deveria ser feita também para os outros países, e então se saberia se a performance portuguesa dos alunos do 10º estaria ou não acima da média dos alunos do PISA (no 10º ano) na OCDE . De qualquer das formas, teremos que admitir que, no 10º ano, já houve em Portugal, uma certa triagem, pela classificação interna e pelos exames de Matemática e de Português… Mas há muito mais no relatório, isto é apenas um exemplo de como este estudo pode ser útil para orientar não apenas os defensores da escola pública, mas sobretudo os que têm na mão as decisões de política educativa. Aguardo com grande ansiedade (…) os resultados de  2009 já com as escolas cheias de alunos de 15 a 16 anos seguindo vias  “alternativas” e “segundas oportunidades”….





“Better teachers, better students”

29 03 2010

Evaluating and Rewarding the Quality of Teachers: International Practices





Satie, Gnossienne No. 4

28 03 2010