A floresta e a água: artigos de meu pai, Cecílio Gomes da Silva

28 04 2013

Agora que estamos no período de transição entre as enxurradas e os fogos e/ou a seca, lembrei-me uma vez mais de como estes temas ( a floresta e a água) interessaram meu pai que sobre eles escreveu de forma clara , com base científica, mas em linguagem acessível a qualquer cidadão, de forma viva e expressiva muitas vezes mesmo contundente.

Pesquisa efectuada na Biblioteca Pública Regional da Madeira:
É gratificante encontrar um lista razoável dos artigos escritos por meu pai para revistas e jornais da Madeira. Infelizmente os artigos publicados em jornais do continente serão mais difíceis de encontrar.

Resultados da pesquisa ( são 30 registos em 3 páginas) o link é para a página 1

Deixo o link para o nº 1 da revista ISLENHA revista onde meu pai publicou alguns artigos, sendo de especial interesse os referentes à Laurissilva , património mundial. Os nºs 31 e 34 aparecem no catálogo mas deve haver pelo menos mais um. Ou melhor deveria haver mais dois ,considerando que meu pai lhe chama tetralogia. Sei que enviou a quarta parte, mas não encontrei publicada, pelo menos, na minha busca tanto no catálogo como nos índices das revistas Islenha posteriores ao nº 34.

“A floresta madeirense património mundial : narrativa de mistério, ficção e realidade : 2ª parte /” Cecílio Gomes da Silva
In: Islenha. – Funchal. – Nº 31 (Jul. – Dez. 2002). – p. 131-144
“Floresta madeirense ; Património da humanidade : A tetralogia madeirense e o milagroso Alambique “/ Cecílio Gomes da Silva
In: Islenha. – Funchal. – Nº 34 (Janº – Junho 2005). – p. 147-157

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Causas da catástrofe na Madeira: “Uma enxurrada começa com uma gota”

2 03 2010

 Publicado em ISLENHA,  nº 7 Jul-Dez 1990 e aqui parcialmente reproduzido

«UMA ENXURRADA COMEÇA COM UMA GOTA»

Por Cecílio Gomes da Silva

«Li na minha infância um belo conto cuja mensagem guardei na memória. Toda ela se concentra no desfecho: Uma gota caiu no mar e a onda disse: Era grande mas agora sou maior.

[…]

Uma gota caiu sobre uma pedra e a pedra disse: Breve chegarás ao mar; nada há para te deter.[…]

O CICLO ALUCINANTE DAS ENXURRADAS

É aquele o destino fatal das gotas que se precipitam nas serras despidas de vegetação. As cheias, os aludes, as enxurradas começam sempre com uma pequena gota. A princípio é como uma bênção para o que resta do solo pedregoso e ressequido. Mas rapidamente se juntam as gotas sem possibilidade de infiltração e formam velozes veios de água que unindo-se um a um, dois a dois numa progressão geométrica formam torrentes caudalosas que descem impetuosamente as encostas escarpadas. Sem nada que as detenha galgam e arrastam tudo na sua galopante passagem.

       […]

       Solo e subsolo são rasgados pela fúria da água, rolados encostas abaixo, arrastados em avalanche pelas águas tumultuosas e por fim depositados no fundo dos vales. Não ficam porém em descanso por muito tempo. As enxurradas consequentes arrastá-los-ão, cheia após cheia, a caminho do mar. As populações ao ruído ensurdecedor da sua cavalgada gritarão ao longo do vale o sinal da temerosa cheia –  A ribeira…! A ribeira…!

Descarnam-se as serras irremediavelmente. Chuvada após chuvada mais se acentua a torrencialidade, mais intensa é a acção erosiva e mais profunda a delapidação da montanha. Não há já possibilidade de infiltração para as camadas profundas do solo. Esgotam-se as reservas hídricas, extinguem-se fontes e nascentes, secam as levadas e as ribeiras. Com elas morrem as algas, os fungos, os musgos, os líquenes, os fetos e toda uma riquíssima flora herbácea ripícola. E morrerá fatalmente toda uma microflora, microfauna e entomofauna marginais de que se alimentavam os predadores que completavam aqueles micro-ecossistemas e meso-ecossistemas. Não mais espongiários, não mais vermes, não mais moluscos, não mais artrópodes (da carocha de água à libélula) não mais rãs, não mais eiroses, não mais lavadeiras, não mais melros…

Não poderá deixar de ser desastroso o efeito que causará (causa), nos ecossistemas circundantes. (Não esqueçamos que os poios onde se faz intensa e variada agricultura, Os inhames nas margens alagadiças e as canas vieira constituem ecossistemas porque há equilíbrio biológico). O desequilíbrio acontecerá e o Ambiente modificar-se-á. (E não será para melhor). Infelizmente esta situação desastrosa verifica-se já em grandes áreas das valas da vertente sul da ilha da Madeira.

Esta cadência acelerada de destruição não cessará nunca enquanto se mantiverem as causas do desnudamento das serras, ou seja, a destruição da floresta ou do que resta dela — o urzal.

Volto a insistir sem receio do me repetir: o fogo e o pastoreio selvagem de ovelhas, cabras e porcos pelas serras andam intimamente ligados. À medida que o solo se degrada e desaparece a vegetação rasteira que servia de pastos (miseravelmente fracos), chegam fogo ao urzal e à floresta para obterem novas áreas de pastagens, prosseguindo criminosamente na alarmante escalada de desertificação das nossas serras. Impunemente continuam a verificar-se estes actos atentatórios  do futuro da Madeira. Despudoradamente se implantam ciclódromos, hipódromos e outros ódromos, (sem quaisquer precauções de preservação do ambiente), que os evoluídos empreendedores pensam ser os grandes meios de desenvolvimento turístico.

Plantem árvores, protejam os restos da vegetação que ainda existe nos vales e planaltos do sul e defendam a preciosa floresta das encostas norte.

Só assim se recriará o Ambiente que deu fama à nossa Terra. Não foram as encostas acastanhadas, nuas e escalvadas  nem as nuvens de pó levantadas por correrias de ovelhas ou de motociclos que atraíram os turistas à ilha.

Vale sempre a pena plantar árvores porque, e passo a citar-me, não é por não plantarmos árvores que deixaremos de envelhecer.

A nuvem prossegue na sua ascensão. Galgando os altos picos e encumeadas, passando de rompante por Eiras, Bocas e Portelas despenha-se ribombando pelas encostas revestidas de espessas e densas florestas.

Uma gota cai das alturas; ganha velocidade e energia, acelerada pela forte corrente de ar. Vai de encontro a uma folha fortemente cutinizada de um til, faz ricochete, uma, duas, três, dez vezes, de encontro a outras tantas folhas. Perde rapidamente a energia adquirida na queda e fica colada cintilando como um diamante sobre o verde negro duma folha de louro. E diz o loureiro: Tens pressa de chegar ao mar, mas eu digo-te que tão cedo lá não chegarás. Guardar-te-ei longos meses: matarás a sede aos homens, regarás as terras secas no Verão, darás pão e darás luz.

[…]

Mas a chuva persiste, dir-se-ia tentando desesperadamente romper a resistência daquela verdejante capa que protege o solo. Na atmosfera escura acelera-se o ritmo da queda das gotas. Ligam-se então formando grossas cordas de água. Espirram em jactos de encontro às folhagens e ramadas superiores, pulverizam-se à medida que vão penetrando através daquela densa e frondosa rede de folhas e ramos.

No interior da floresta uma espessa névoa desce lentamente para o solo. Até lá ainda tem de vencer o quase impenetrável estrato intermédio de urzes, uveiras, fetos e muscíneas. Ultrapassa-o por saturação e chega lentamente ao estrato inferior de musgos, algas e líquenes. É absorvida durante muito tempo até que, saturada aquela manta viva, chega ao tapete de folhas, frutos e ramos semi-decompostos que forma o último estrato da floresta. Nela se vai embebendo, inchando aquela fabulosa esponja. Lenta e demorada é a sua descida para as camadas subjacentes de lavas e escórias meteorizadas. Infiltra-se e escoa-se por fendas e galerias vulcânicas e pelos canais abertos pelas poderosas raízes do til, do vinhático da urze e do loureiro, descendo cada vez mais fundo para o interior da montanha.

[…]

Cumpriu-se promessa do loureiro; a gota não se perderá no mar. Será fruta e será pão. Pelo caminho dará luz e calor e moverá máquinas e engenhos. Transformou-se em riqueza.

Esta riqueza poderá multiplicar-se se forem criadas as mesmas condições nas vertentes onde caíram as primeiras gotas que se perderam no mar.

Bastará plantar árvores, muitas árvores. E voltarei a repetir-me: Não é por não plantarmos árvores que deixaremos do envelhecer.»

“Abstract

The author alerts to the progressive deterioration of the ecosystems in the mountains of Madeira, which is at the origin of the increasing desertification, resulting from the felling of trees and cattle breeding.

To reverse this trend and avoid the irreparable destruction of the madeiran forest it is urgent to plant trees, to preserve the Laurisilva and ground vegetation which will retain waters in the soil, thus storing this life generating resource.”

Nota: Selecção, cortes e destacados a negrito da minha única responsabilidade.





Cecílio Gomes da Silva:” […]Floresta ou pastorícia?”

27 02 2010

Em alguns artigos publicados no Jornal da Madeira- Revista magazine meu pai explica as causas das enxurradas. Também nesses artigos se pode constatar que ele tinha a consciência de que a realização da profecia já tinha acontecido em 1993. Meu pai escrevia com uma principal motivação: que os seus conhecimentos técnicos pudessem ajudar a mudar comportamentos e influenciar (pela via do esclarecimento técnico/científico) as decisões de quem tinha poder de as concretizar.   Escreveu também sobre fogos e suas causas.

Este pequeno livro, publicado pela R. A. Madeira, Secretaria Regional do Turismo e Cultura,  resultou de conversas que manteve com seu irmão mais velho, Rui Gomes da Silva (médico) e  pretendia ser apenas um ensaio destinado a um leque variado de público.  São 39 páginas de texto onde explica como  a floresta é  a principal causa da precipitação da humidade dos ventos de nordeste em forma de chuva (ou seja sem floresta , a Madeira poderia ter um aspecto semelhante a  Cabo Verde que de verde tem pouco, apesar dos esforços meritórios feitos para reflorestar). Em 1995 a preocupação era a seca.

Neste opúsculo, o autor defende a floresta nos “altos-chãos” em vez de uma pastorícia desregrada que tem degradado esses solos de vegetação rala e rasteira e contribuído para agravar as enxurradas. É mencionado o Plano do Parque Natural da Madeira mas muito ao de leve, comentando : “No plano, a pastorícia foi demasiadamente contemplada […]”.

A floresta da Madeira,  para além de captar a humidade transformando-a em chuva, tem uma capacidade de contenção e reserva por infiltração muito maior do que as áreas de vegetação não arbustiva. A infiltração faz-se de forma  lenta, entre outros factores, porque o volume das copas modera os ímpetos das chuvas. A floresta faz chover quando não “cai água do céu” e abafa os efeitos devastadores quando   cai demais. No fim do processo da fábrica processadora de dióxido de carbono e produtora de oxigénio formam-se nascentes . A floresta madeirense  transformou a humidade dos ventos em água límpida riquíssima em nutrientes fundamentais  para a agricultura nas zonas de cotas inferiores.

 Este resumo é o resultado de uma minha re-leitura rápida desse livro, nestes dias em que, nos media e na blogosfera, a desgraça de várias famílias em directo se mistura com a polémica em torno de responsabilidades. Meu pai entraria na polémica se fosse vivo? Não o sei dizer. Escreveria de certeza, publicado ou não, escreveria. E tentaria filtrar a emoção que seria de certo o motor do ímpeto a escrever nesta altura.

P.S: Meu pai faleceu em 2005.  Para além do Jornal da Madeira e DN -Funchal  colaborou com a revista Islenha , de edição e propriedade da Direcção Regional dos Assuntos Culturais na qual foram publicados vários textos dos quais destaco os artigos de fundo a respeito da Laurisilva madeirense, tendo o último saído em 2004, no nº 34 de Janeiro-Junho.   Esses artigos estarão disponíveis nas entidades referidas e em bibliotecas. Nenhum dos filhos estudou Silvicultura ou Engenharia Florestal como agora lhe chamam. Por isso são os seus escritos a sua única defesa quanto a ideias que defendeu não apenas com fundamento na sua formação técnica e científica mas também com base na sua vasta experiência enquanto engenheiro silvicultor (de terreno , que não de gabinete).





Público:”Peritos defendem novo Plano Oudinot para as ribeiras do Funchal “

22 02 2010

“Obras de engenheiro militar feitas após temporal de 1803 são referência

Peritos defendem novo Plano Oudinot para as ribeiras do Funchal

22.02.2010 – 08:05 Por Tolentino de Nóbrega

O presidente da câmara diz que é preciso “reconstruir o Funchal”. Especialistas em urbanismo acham que este é o momento adequado para “repensar a cidade” e sugerem o Plano Oudinot, com o espírito empreendido por este engenheiro militar na construção das muralhas protectoras da cidade depois do temporal que em 1803 provocou centenas de mortos.

[…]

A esta mesma conclusão chegou o estudo sobre o impacte ambiental provocado pela construção subterrânea na Baixa citadina do Funchal, feito pelos investigadores da Universidade de Aveiro João Baptista Silva, Fernando Almeida e Celso Gomes. Além de alertarem para o impacto negativo de algum desenvolvimento urbanístico, recomendam, entre outras medidas para minimizar os efeitos das aluviões, o trabalho crucial contra a desertificação das serras madeirenses, desenvolvido pelo conselheiro José Silvestre Teixeira, governador civil da Madeira entre 1846 e 1852. “Passado mais de um século e meio, é oportuno repensar este plano contra a desertificação das serras, que teve como objectivo diminuir as consequências provocadas pelas aluviões e aumentar as reservas hídricas.”

50 anos antes, depois da grande aluvião de 1803, o Governo nacional enviara para ilha o brigadeiro Oudinot para superintender as obras e especialmente a construção e reparação das muralhas das três ribeiras que atravessam a cidade. Oudinot chegou ao Funchal em Fevereiro de 1804 e aqui morreu em Fevereiro de 1807.”

Nota: destaque a negrito feito por mim





DN- Funchal,13 de Janeiro 1985: “Eu tive um sonho”

22 02 2010

O texto de 1984, de meu falecido pai, que referi ontem, é relativamente pequeno, não é texto técnico sobre as causas (estava a confundir com outros textos dele), mas coloca como causa central a desertificação das serras. São dois sonhos, o segundo é a arborização das áreas desertificadas. O primeiro é uma descrição arrepiante e em pormenor do cenário dantesco a que temos assistido nas imagens televisivas, nos últimos dois dias, idos de Fevereiro, 2010.

Eu Tive Um Sonho, de Eng Cecílio Gomes da Silva Diário de Notícias – Funchal,13 de Janeiro 1985

Nota: No livro Viveiros , Cecílio Gomes da Silva (1987) descreve  a chegada da frente de torrente da Ribeira de Santa Luzia no capítulo/conto intitulado “Onde está o Joãozinho?” mas neste texto, aquele curso de água aparece em enchente sazonal , não catastrófica, apenas assustadora fazendo as gentes que viviam junto às margens sair de casa e subir as veredas até à ponte para ir ver a ribeira e rezar.





Gestão das escolas

14 01 2008

Foram adicionados links na barra lateral para a petição (publicada em http://educar.wordpress.com/ e o abaixo assinado do sindicato.

Assinei os dois de impulso. Devo dizer que o 115 já era um aborto, aquela assembleia de escola tinha já muito que se lhe dissesse. Também o que se passa actualmente com a gestão dita “democrática” tem também muito que se lhe diga. Conferir o que sobre isto diz Mithá Ribeiro em “A pedagogia da avestruz”. Subscrevo o que diz sobretudo quando descreve a obediência canina dos conselhos executivos ao executivo e desprezo por quem os elegeu até uns meses antes das novas eleições digo eu, período onde aliviam a carga de trabalho sempre que possível, criticam o executivo com ar jocoso e distribuem sorrisos… enfim o que vem aí será apenas pior, a responsabilização necessária nunca virá nem de cima bem de baixo, trata-se de ratificar o assalto ao poder nas escolas pelos partidos …

Quanto a este tema quero deixar já algumas reflexões:

O directorzinho vai ser um dos professores que já actualmente mais “riscam” na escola, nada vai mudar, ele será o chefe de lobby que já lá está, apenas terá mais poder. A assembleia será tomada pelos partidos mais claramente, e nada nem ninguém poderá influenciar a gestão, o CP será o que já é, o órgão de apoio à obediência canina… os coordenadores serão nomeados… mas com o concurso de professor titular isso já aconteceu: eleições só nos departamentos com mais do que um titular, criando condições para o caciquismo :” tu eleges-me e eu facilito-te a vidinha na avaliação”… Por isso já nem a eleição de coordenadores poderá fazer a diferença. A GESTÃO DEMOCRÁTICA DESAPARECEU DEFINITIVAMENTE NO DIA EM QUE SAÍRAM AS LISTAS DOS PROFS TITULARES. Tudo o resto é discurso…

Está na altura, portanto de pensarmos numa participação autónoma dos professores enquanto trabalhadores num qualquer órgão independente de observação e fiscalização dos actos de gestão, uma espécie de comissão de trabalhadores à semelhança de.. não não é de Cuba, estou a pensar nas empresas alemãs… Nas escolas não estando fortunas em jogo não seria possível a corrupção acho eu. É que com o novo modelo os docentes serão apenas mão de obra escrava, a não ser que se relacionem com os poderes políticos dentro e fora das escolas. ISSO JÁ ACONTECE HOJE, com a assembleia eleita pelos professores. O 115 não nos protege contra este fenómeno (nem o 112…. 🙂 ). Este fenómeno ficará ainda mais patente mas legitimado agora no órgão que vem substituir a assembleia, onde o peso do voto dos professores é menor que naquele diploma. Desculpem o pessimismo, mas “eles” já ganharam , os professores parecem zombies cumprindo tudinho o que vem de cima , com o pavor da avaliação, alguns até voltaram a fazer como no estágio, pois há coleguinhas avaliadores mais papistas que o papa…

Ontem vi de novo o filme Gandhi. A sua forma de luta está ao alcance de todos e chama-se desobediência civil…. nós por cá temos abaixo assinados e vigílias… de eficácia conhecida… os professores não são individualmente heróis, não ouviram nenhum sindicato a chamar à não participação no concurso a titular, os sindicatos ajudam o governo no semear do medo , pois a estratégia sindical aconselha que se pinte a manta em cores carregadas… quando as coisas acontecem até nem parecem tão negras… enfim. A desobediência civil resultaria se fossem todos a dizer não ou pelo menos a esmagadora maioria a dizer não… as pessoas sabem que são poucos os que estão dispostos a isso e acobardam-se ou fingem que nada é com eles … a avestruz uma vez mais.





Blog livre -uma espécie de editorial

26 11 2007

Este blog é criado no sentido de registar algumas ideias sobre política de educação derivadas da experiência no terreno ou nela consolidadas, tentando contrariar a corrente que coloca os professores como autómatos escrevinhadores de papelinhos com cruzinhas enquanto nos media se anunciam medidas fortes de combate ao insucesso escolar que mais não visam senão  isso mesmo: tornar o processo de aprendizagem marginal na actividade do professor e do aluno. Os docentes desdobram-se e esgotam-se (em todos os sentidos) em “planos” e contra-planos, em descrições de “projectos” e definições de “actividadezinhas”, escrevinhando objectivos gerais e específicos mas conscientes de que o objectivo central não é outro senão a escravização do docente em obediência à moda do eduquês dentro da meta geral obsessiva da não retenção do aluno.

A certificação de conhecimentos deu lugar à certificação de competências, com a qual nem estaria em desacordo se o conceito de competência fosse objectivamente determinado, ao contrário do que acontece na prática: esse conceito mal definido autoriza todas as interpretações, tornando-se completamente arbitrário e permite que alunos sem competência para o nível que se está a certificar, obtenham o certificado.

É apenas mais um blog sobre este tema, não pretende ser mais que um espaço de desabafo e comentário suportado pela experiência. Também poderá basear opiniões em teorias ou remeter para outros sites ou blogs para melhor documentação e/ou fundamentação.

Nota relativa ao WP: Com a nova versão do wordpress talvez seja possível falar de educação sem haver uma torrente de spam quotidiana e esmagadora como acontece infelizmente no wp\labprof2000: comentários por email contendo, cada um, centenas de links anunciando toda uma panóplia de produtos legais e não legais desde as malas de marca ao porno mais hard, passando pelos toques de telemóveis, pelos games e pelos medicamentos legais mais ou menos respeitáveis destinados a cocktails, entram todos no servidor sem qualquer problema. Tudo tem que ser filtrado pelo utilizador-administrador, se acaso teve o bom senso de seleccionar a moderação de comentários: é que são cerca de mil comentários por semana, todos ou quase todos agoniantes . Aqui fica a denúncia e vamos experimentar esta nova versão wp a ver se é melhor. Caso não seja, migrarei para o blogger que, no controle anti spam, é excelente.