Perde-se tempo…

12 06 2017

Ou ganha-se alguma calma e distanciamento? Estou a referir-me ao tempo em frente ao computador, no facebook por exemplo; em frente à televisão a ver séries americanas ou inglesas, sempre com o mesmo formato… Pois é ,faço isso diariamente. Preciso desses momentos. O face para me conectar ao círculo pequeno, mas felizmente muito diverso que é a minha pequena rede. Para saber o que se passa na localidade onde resido , para conhecer as preocupações das pessoas, sair um pouco do meu reino de um hectare. Para poder participar ou ficar com a ideia de que posso alterar alguma coisa, por exemplo, assinando petições , alertando ou informando-me sobre questões locais ou menos locais. Quanto à televisão, claro ,há as notícias. Aqui há uma espécie de caos… vou variando de canal para não ficar com visão de túnel. Preciso das séries para esvaziar a cabeça … resulta mesmo, sobretudo se forem de formato rotineiro e previsíveis. Mas o sentimento de certa culpa persiste, de se ter perdido tempo. Os nossos antepassados não tinham televisão, eu própria me lembro (sou mesmo antiga , pois) de tempos em que só havia a rádio diariamente e o cinema de vez em quando. Depois veio a TV, mas só com dois canais. Resultado, havia dias em que “nada havia” na TV. Vou tentar lembrar-me das alternativas. Uma delas era jogar à canastra em família… não lhe achava grande piada, nem sempre corria bem 🙂 . Outra que era específica do Verão era a família toda (avós incluídos) ir passear na estrada à noite entre os pinheiros, à luz da lua, na estrada que hoje é bem perigosa , o trânsito nos tempos antigos era quase nulo, agora passam muitos carros a todas as horas embora menos à noite, mas a velocidades assustadoras para as características da estrada. Mas conversava-se, ria-se,  não havia eletricidade, viam-se as estrelas com muito mais nitidez, era um espetáculo , agora impossível, mas que nunca esqueci. Os satélites eram novidade, e procurávamos encontrá-los. Estrelas cadentes e pirilampos davam magia a essas passeatas. E conversava-se mais e lia-se mais. Saudosismo? Nem por isso, apenas memórias agradáveis que ficam hoje registadas no ciber-espaço neste post.
Agora vou ali ver os “cold cases”. Depois de um dia de desgraças associadas à estação balnear, depois de ter salvo, ou talvez não, um coelho bravo jovem (pequeno, mas não bébé) que me trouxe o Froomy e o perdeu por trás da cama :-). Foi difícil apanhá-lo, mas consegui . Depois de instalar o animal em sítio seguro e calmo, aproveitei para aspirar o cotão que se acumulava por baixo da cama que tem gavetas e portanto raramente se limpa, pois tem de se tirar as gavetas para se poder limpar 🙂
O bichinho está na caixa transportadora dos gatos, a recuperar. Mas acho que não recupera, tem uma pata partida e não sei que mais lesões possa ter. Coloquei-o sobre feno, com tigela com água e alguns legumes. Amanhã terei de o levar ao veterinário. É apenas um coelho , eu sei, e vou gastar dinheiro para ele acabar mais cedo ou mais tarde no tacho de alguém…, mas não consigo matá-lo e não vou libertá-lo, com a pata partida, na floresta , onde há predadores e não são apenas gatos…
Pronto vou esvaziar a cabeça com os casos arquivados… Boa noite!





Preversão do Islão, será talvez, falhanço redondo é de certeza (post politicamente incorrecto)

7 06 2017

A religião cristã em todas as suas vertentes também não impede que haja desvarios, fanatismos, loucuras. A católica gerou a Mafia, com os digníssimos padrinhos a ir à missa todos os domingos e talvez até comungar… e apadrinhou Hitler, não esqueçamos nunca. A protestante não impediu os school shootings, os Breiviks… O Islão não impediu … uui uuui a lista é longa, vou abreviar: os ataques suicidas matando dezenas ou centenas se lhes for possível. Estou a falar dos crimes do século XX-XXI. Acho que há certa vocação no próprio Islão para que isto aconteça, mas isso ninguém quer discutir, pois eles não discutem nem deixam discutir o texto sagrado…. a exegese é feita pelos imans que dizem o que lhes apetece conforme a seita a que pertencem -salafistas, xiítas, sunitas…o raio que os parta, safardanas todos pois matam mesmo os outros muçulmanos sem pestanejar e isso acontece , todos os dias em Bagdad, Iraque , no Paquistão … e ninguém diz nada, não se ouvem vozes discordantes, manifs contra a violência nesses países. Por que será? O Islão falhou redondamente na Europa em integrar a segunda e terceira gerações na sociedade e conseguiu evitar a identificação com o país anfitrião, apesar de falarem a língua deste sem sotaque, como língua nativa aliás e deixarem muitos de saber árabe. Será o Islão que falhou, ou os paizinhos desses facínoras doidos varridos, mas não tanto, sabem bem o que vão fazer. Não não acho que o façam pelas promessas do paraíso , esse é um mito que pegou, mas no qual eu não acredito nadinha. Fazem o que fazem porque não querem viver , não querem trabalhar que dá muito trabalho por pouco dinheiro e querem ser importantes e estão fartos de tudo. Fazem-no porque estão bored to death! Nenhuma religião tem conseguido responder a esta questão do tédio, nem mesmo o budismo embora seja um pouco melhor nesse ponto, alguns tornam-se vegan e meditam e isso é bom, com mais ou menos droguinhas à mistura para ajudar a meditação. A propósito nenhuma religião impediu que os jovens e os menos jovens se droguem. A droga pode levar ao tédio máximo também e à despedida final, em privado, ou em “grande” como pensam os autores dos suicídios com companhia.
Pronto, não digo mais nada, pois ia também falar do redondo falhanço da escola… Vou publicar sem rever, por isso qualquer gralha será depois corrigida, agora tenho mais que fazer, queria só desabafar, desculpem qualquer coisinha.





Cloud nine?

7 06 2017

Acabei de ler a notícia sobre os possíveis efeitos desta droga. Isto explica muita coisa, pois há várias formas de canibalismo… Há por aí muitos que andaram nisto há muitos anos, embora a cloud nine pareça ser droga nova. E vão comendo e ratando e rilhando e sugando o contribuinte até ao tutano, usando vários artifícios muito imaginativos que dão pelo nome de engenharia financeira ou corrupção conforme o ponto de vista. E os nomes das construções institucionais são muitos : BPN, BES , PT, EDP e a lista não pára de crescer. Entretanto, vão inventando outros nomes… Bem, todos sabíamos dos usos e costumes da porca da política em eterna promiscuidade com o mundo da alta finança e das grandes empresas, mas nunca fomos a tempo de prender os Lecters deste mundo… Será que o pobre coitado andava na cloud nine?

Lamb chops … hand cups…





Mais um: George Shearing

2 06 2017

Escolhi um tema de 1949 para ser contemporâneo do livro de Kerouac. Shearing teve uma vida muito longa em contraste com outros famosos do tempo dele. Como conseguiu? Fico a pensar, mas não muito.

Encontrei a página ou páginas de Pela estrada fora onde aparecem os nomes de músicos do jazz : 236 a 238 da edição referida. Não deu para perceber a diferença entre jazz e bebop, mas como sou ignorante neste tipo de música, não é agora que vou aprender tudo…
Quem ler isto, pensa que Kerouac tem um livro sobre música. Não , escreveu um livro (ou mais , não sei, só li dois) com banda sonora 🙂 .





Charlie Parker e Dizzy Gillespie

26 05 2017

Acabei de ler o livro de Kerouac, Pela estrada fora – o rolo original (já fiz a referência completa em outro post.)
Um dia destes digo mais qualquer coisa sobre as minhas impressões durante a leitura do livro e depois… Por ora apenas um fundo sonoro. Nem sei se está bem escolhido. O referido livro tem apenas uma página onde são referidos vários nomes de músicos, já me esqueci qual era a página, sorry. De qualquer das formas, não sendo eu muito entusiasta de jazz, gosto desta música que escolhi e acho que é este o beat que atravessa a obra referida. Se me engano, não faz mal, enjoy!





O Verão em Maio?

23 05 2017

Bem, se for para chover em Agosto, não me importo. Agora ainda o terreno está húmido em profundidade. Em Agosto, se fizer o mesmo tempo do ano passado é a seca, o terror dos incêndios, não há paz. Por isso lamento desejar chuva em Agosto, pois sei que por exemplo os professores só podem gozar férias nesse mês.

Não gosto nada do Verão, nadinha. Qualquer coisinha que se faça fica-se a suar em bica. O Outono, Inverno e princípio da Primavera são as minhas  épocas preferidas.

O Verão tem uma vantagem grande, no entanto . Não se pode caçar!!!!!!!!!!!! Acho que na Primavera também não, felizmente!

Estou a tentar sobreviver a este calor. E não vou comentar o que aconteceu hoje em Manchester. Apenas lamentar profundamente.





O dia dos “F”s

17 05 2017

O sábado passado, o dos três “F”s atuais (Fátima, Futebol, Festival) foi sociologicamente interessante, ou talvez nem tanto.

Fátima e futebol, quer queiramos quer não, dividem, há muitos que têm raiva a Fátima, há muitos que falam do “ópio do povo”. Estes esquecem ou negam que o marxismo, água de que também bebi um dia, foi  durante gerações uma inebriante forma de encarar o mundo e de ter sempre razão, ou seja, teve contornos de religião e fanatismo e serviu de suporte a ditaduras ferozes e a violência no que foi e será sempre diferente de Fátima; sim , o regime de Salazar, a dada altura viu as potencialidades de Fátima como suporte ideológico à sua continuidade e explorou-a ao máximo, sim, vimos na TV , no sábado, um ou outro caso de histerismo (que a Igreja não acalenta, bem pelo contrário), mas foram casos isolados. Entretanto, nas redes sociais, muitas vozes mordiam Fátima , como que com raiva a quem acredita nas aparições , em Deus, nos milagres…  Sabemos e ninguém se atreve a negar que há uma maioria católica em Portugal , uns mais do que outros, mas a maioria é crente e considera-se cristã. Não fiz nenhum estudo , acho que devia ser feito para tirar dúvidas, mas … alguém duvida ???

Quanto ao Futebol,  esse é outra espécie de ópio ,  também gera ódios, promove o consumo de álcool e episódios de violência. Relembro: Fátima é Paz, não é ali que se constroem sentimentos de pertença a grupos, com a correspondente desconfiança em relação ao “outro”. Não é ali que se criticam os que “não crêem , não esperam e não amam (a Deus)”, reza-se por eles. Aqui estou a adivinhar o que se passa na mente de alguns leitores potenciais. Não , não me parece haver sentimento de superioridade moral, apenas a certeza de que esses estão mais sós do que os que crêem ,esperam e amam (a Deus)”, pelo menos é impressão que tenho do que vai na alma dos que cantam esta frase, em Fátima e não só, apesar de se pedir perdão a Deus pelos não crentes, o que para mim não faz sentido nenhum , pois crer não é um ato voluntário , é uma dádiva , algo que nos acontece e pode acontecer a todos em qualquer momento da vida, algo que se pode perder também. Voltando ao futebol, era a festa do Benfica. Também não foi feito  um estudo para saber se a esmagadora maioria se considera benfiquista. Mas, alguém duvida??? Eu não sou nem nunca fui de clube nenhum, habituei-me a ter simpatias que herdei de família pelo Sporting, mas agora com o Jesus e mais o presidente cuspidor , a simpatia está a esgotar-se. Mas o que é facto é que muitos não se revêem no Benfica. São de outros clubes que não ganharam o campeonato. Portanto e resumindo, o futebol divide.

E finalmente, ao fim do dia, pois os três Fs aconteceram todos no Sábado, o Festival uniu! Muitos continuaram a beber , mas por uma “boa” causa. E” Viva Portugal!”, veio então esse sentimento de pertença a uma entidade abstrata, a “Pátria”, mas não exatamente em oposição aos outros, embora muitos aproveitassem para zurzir nos outros, por cantarem em Inglês , por exemplo. Será o nacionalimo bacoco deixado por Salazar? Será , não tenho dúvidas, mas na juventude mais “letrada” e viajada sente-se outro tipo de atmosfera: aquela que o nosso Salvador conseguiu fomentar nos bastidores do festival europeu-asiático-australiano (?!) um espírito internacionalista confirmado pelo seu Inglês impecável na conferência de imprensa.

Portanto de novo juntos. Acabou tudo bem. Queriam milagre? Tivemos um pouco disso, pois houve uma conjunção de fatores que fizeram aquela canção ganhar o festival. Isto digo eu que não percebo nada de música, embora tenha reconhecido imediatamente a influência Bossa Nova na canção vencedora que ouvi completa pela primeira vez no direto do festival. A  interpretação com alma, a  voz , a simpatia do Salvador , a canção simples e suave, com algum conteúdo (não muito, convenhamos) a apresentação sem efeitos especiais (de facto , “os fireworks”não faltaram na maioria das outras canções e o rapaz teve coragem ao dizer o que disse na conferência de imprensa). Uma Europa farta do “mais do mesmo”, inclinada a votar em algo fora do “sistema” , “out of the box”, foi determinante, na minha opinião. Milagre foi a conjunção de todos estes fatores e o sentimento de “comunidade portuguesa” pacificada , ao fim do dia!