Mágoa e perplexidade

14 10 2015

Ler algumas pessoas em cuja lucidez depositava confiança desdenharem de quem votou PAF ao mesmo tempo que protestam quanto aos que fazem o mesmo em relação a quem votou CDU ou BE. Lamentável e inesperado ver a mudança de tom em relação a José Sócrates Pinto de Sousa, nome que nunca mais esquecerei esteja ele calado ou a falar , preso ou livre, culpado do que lhe é imputado hoje pelo Ministério Público ou “inocente” (:::) . Foi um ditador tanto quanto a nossa democracia lhe permitiu, vingativo, franzindo o olhar de ódio, instigando o ódipo de portugueses contra portugueses, usando a estratégia de Goebbels para atingir os seus fins, e aqui também tanto quanto a constituição lhe permitiu, ou seja , tanto quanto NÓS os visados lhe permitimos pois durante esse processo tentou ou mesmo atropelou a Constituição da República. Só que ninguém se queixou ao Tribunal Constitucional. Agora, para esses autores que não vou nomear por não me apetecer e porque não quero na polémica que me venham perguntar por obra feita, eu sou mera professora ainda por cima aposentada. É que para ter opinião basta ser cidadã e já agora, saber umas coisitas de Economia enquanto ciência. Aposentada muito antes do tempo em consequência do ambiente que se vivia  na Escola Pública, transformada, pela mão de Sócrates e seus propagandistas ou funcionários locais (directores de escolas) num caldeirão de invejas, ódios mesquinhos, burocracias, grelhas e grelhados, injustiças, atropelos ao trabalho de colegas, sucessos de alunos forjados e forçados por via do MEDO. Só quem lá andou , na escola pública, conhece o que se passou durante esse tempo de Maria de Lurdes como ministra e depois do próprio Sócrates, já que a ministra que  sucedeu a Maria de Lurdes Rodrigues nada fazia sem o seu Senhor !

Sócrates se pudesse tinha mesmo demitido o ministro das Finanças se tivesse no parlamento uma maioria para dizer “Não Pagamos  a dívida”. Foi adiando a decisão de chamar a Troika e humilhou Teixeira dos Santos, todos o vimos. Este calou, calou, mas só os burros não adivinharam o que se estava a passar… Ora o personagem José Sócrates pode inspirar muitas piadas , é mesmo vocação dele, mas tudo isto que ele fez ao país não foi uma piada , foi algo de muito sério e muitos são co-responsáveis! Muitos que vimos de bicos de pés atrás de Costa. TUDO ISTO levou a que muita gente, mas mesmo muita tenha votado Passos Coelho, não é PAF não, é Pedro Passos Coelho. Pois a ridícula dívida que foram encontrar à Segurança Social  aconteceu a muitos jovens que são chamados precários pela esquerda: foi a parte patronal para a SS que Passos Coelho, como muitos no tempo dele,  se esqueceu que deveria suportar sendo trabalhador independente. Que ele também , tenha beneficiado algum ambiente de impunidade por esse tempo não me admira, foram os tempos das vacas gordas. Mas a impunidade que se viveu durante o consulado de Sócrates é ainda mais grave, pois estávamos em crise (a tal crise de 2008, não era?????)  e continuou-se a esbanjar , a encher os bolsos de construtoras e sabe-se lá mais quem. Quando alguém refilava, esse senhor virava a cara ou mandava despedir por vias sinuosas, como conseguiu fazer com alguns jornalistas enquanto mantinha uma bateria de “jornalistas” e doutos especialistas e professores da universidade para a sua propaganda diária. Digo e afirmo o que então disse, o socialismo de Sócrates estava a tornar-se cada vez mais um nacional socialismo lusitano com o apoio total do Partido Socialista onde nunca se ouviram vozes discordantes a partir de dentro. Votaram todos na sua continuidade sem qualquer vergonha. E lembro-me bem de que o discurso de Costa só beliscou Sócrates por ter sido um discurso muito , mas muito mais inteligente, mas infelizmente terminando com um “estou contigo ó Zé” que nunca esquecerei também e ao qual deveria ter dado mais atenção na altura das primárias em que fui votar Costa…

Mas agora esses que então concordariam comigo a respeito do consulado Sócrates já não falam nele, mas “nos seus erros”, num paternalismo que me magoa mas também me enoja. Isso mesmo enoja, dá-me vómitos.

A quem servir este barrete que o enfie bem até aos pés , tipo burca integral, de forma  a que não eu não tenha de lhe ver  a cara que tão acirradamente atacou o personagem Sócrates no passado, a mesma que agora  tenta ( só para que o PS faça um governo de “maioria de esquerda”)  reabilitá-lo como apenas  autor de “alguns erros” e “ilusões ingénuas” e “vaidade”…

Não ataquem pessoalmente comentadores  que têm opiniões devidamente fundamentadas em relação a não haver outra alternativa a não ser a continuação de alguma ( só alguma?) austeridade!!! ARGUMENTEM!

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Sangrias várias- Reportagem no educare- e desabafos

22 01 2009

Via blogue Pedro na escola destaque para a reportagem da Sara Oliveira em educare.

Eu não fui talhada para o papel de vítima e quando trago aqui o assunto, move-me a revolta mais que uma qualquer auto-comiseração, pois tento afastar esse estado de espírito que nada resolve. A reportagem do educare refere casos de reforma antecipada pelos motivos que todos sabemos, em consequência desta equipa de … * pessoas incompetentes, movidas por um ódio específico, focado na classe profissional dos professores e com o poder de desmantelar a escola pública. Foi o que fizeram e estão a ganhar. As ditas “reformas de política educativa” talvez sejam reversíveis.  As reformas dos colegas são irreversíveis. E são lágrimas de crocodilo que se choram cinicamente um pouco por todo o lado, quando um colega ainda na casa dos 50 anuncia o pedido de reforma. Muitos acharão óptimo, menos um à frente! Umas  reformas abrem vagas, outras não, fica dependente dos excelentíssimos senhores presidentes dos conselhos directivos ou dos excelentíssimos senhores coordenadores ou do excelentíssimo grupo departamental que reune em certas escolas para decidir que se devem fechar as vagas (não vá aparecer alguém mais graduado vindo de outra escola). Apesar do clima de unidade contra a ministra e a política do governo socialista, estas verdades devem ser ditas. Tenham lá santa paciência. O Kant era um chato, mas convém recordá-lo talvez, diria eu, antes de fazer certos comentários e de tomar certas decisões oportunistas. Oportunistas, digo eu, muitos acham que é válido, estratégia de auto defesa. E isto será o futuro. Quando as escolas estiverem todas nas autarquias, já não vão os senhores professorzecos tomar a decisão de fechar a vaga. Será o senhor vereador ou o presidente a decidir se há vaga ou não para a sua sobrinha, filha ou enteada.

Estou assim hoje, mas estou farta de cinismo. A minha inadaptação a um mundo que assim funciona é por demais evidente; para quem me tenha lido com alguma atenção (que lhe tenha sobrado das suas próprias preocupações) .

Não me adapto mas acuso. As equipas que passaram pelo ME foram quase todas incompetentes, ligeiras (para não dizer levianas) na tomada de decisões estruturais .

E todas sucessivamente foram contribuindo para este desfecho, o triunfo absoluto da pedagogia da treta das ESEs , o triunfo do facilitismo, a padronização ideológica  do professor (o professor ideal -excelente-assenta num paradigma que vai beber os pseudo-fundamentos às tretas das ESEs , criando-se com este modelo de avaliação todas as condições para que o professor ” excelente ” tenha que  ser um manipulador, um bajulador e muitas vezes um ser incapaz de um pensamento próprio, de uma ideia nova). Fica assim garantido o nivelamento por baixo da qualidade geral do ensino na escola pública.

Estão a sair professores excelentes, muito bons , bons e medíocres . Estes últimos são uma minoria ridícula já sinalizada pelas escolas e que  poderiam ter sido reconvertidos para outras funções dentro das próprias escolas ou noutros serviços. Mas com ou sem avaliação alguns desses ainda por lá andam.

A geração seguinte que se sirva da gamela e que lute por melhores dias, a geração seguinte que um dia sentirá na pele o que estamos a sentir hoje. Estes que partem, vão às manifs, têm blogues, mas não vão servir de guarda chuva a ninguém. Quem tiver espinha dorsal que se posicione, individualmente, está bem de ver. Quem a não tiver há muito que entregou os objectivos individuais, mantendo alguma esperança que sejam poucos a pedir aulas assistidas, a ver se caçam as quotas dos MB e EXC.

Não, não me adapto a um mundo em que isto aconteça. Admito: sou inadaptada, mas não estou só. Por isso gostei da reportagem. Quanto aos demais , pago para ver!!!!!!

Pago mas talvez me desinteresse completamente de ver, assim que arrumar botas. Tentarei fazer outra coisa. Diferente quanto baste e quanto mo permita  o desgaste da força física e psíquica e o do valor da reforma que com o passar dos anos tem tendência a não acompanhar a evolução dos preços das coisas várias a que chamaremos então luxos e deles nos desabituaremos, precisamente na altura em que alguma comodidade seria necessária: por exemplo, coisas como aquecer um apartamento num inverno como este custa não menos de 300 euros mês, prevendo-se evolução não descendente dos preços do gás e da electricidade. Por exemplo. Um pouco acima dos seniores “ajudados” pelo modelo continente . Mas lá chegaremos um dia a precisar de ajuda se a recessão for demasiada. Não convém a soberba nos dias que correm…..

Estão com pena?

Não tenham, muitos de nós fumamos o suficiente para que tudo isso não nos chegue a acontecer. Outros têm felizmente património suficiente. Mas equacionar o problema faz bem à alma. A humildade de pensar que a desgraça que vemos com indiferença ao nosso lado nos poderá cair em cima um dia.

Senhora ministra, senhor primeiro ministro tenham uma boa vida, eu já só queria ver o dia em que percam a maioria absoluta. Os vossos sorrisos amarelos, gostava de ver. Isso já me bastaria pois ando a evitar energias negativas, como ódios e vinganças. Só queria ver os vossos sorrisos amarelos. Assim Deus queira! Sim, disse mesmo isso, Deus, pois não há que contar com pessoas como Manuel Alegre, esse poderia dizer agora-está-se bem no meu quadradinho quentinho. Era mais coerente reconhecer que come do mesmo pão e destila o mesmo veneno que os demais que votam sempre caninamente (me perdoem os cães) com o governo! E de sangrias o Alegre já só deve conhecer aquela que é feita de vinho, que saberá muito bem  nos jantares convívios de caçadores. Já se esqueceu do poema “Ei-los que partem…”.

Estes que partem são professores, mas talvez tivesse sido melhor para eles terem partido da profissão e do país mais cedo, muito mais cedo, e muitos o fariam se adivinhassem como viria a ser a sua profissão na primeira década do século XXI . Talvez estivessem hoje em melhores condições de saúde e de finanças.

* Substantivo auto-censurado e substituído por palavra educada.

(revisto e actualizado em 23/01/09 13:01)





Um Gobern atento… assédio moral e …manifestações

2 11 2008

Vale a pena consultar  a crónica de Gobern citado no post “Adeus aos mestres” no blogue O cantinho da educação) sobre a avalanche de reformas antecipadas de professores, com as respectivas e duras penalizações. O download está lento mas compensa.

Que tudo isso provém de estratégia consertada pela tripla Primeiro Ministro/Ministério das Finanças/Ministra da Educação é difícil de provar mas é por demais evidente. E chama-se assédio moral ou mobbing se preferirem. É receita usada em certas multinacionais (já aqui o disse algures mas quero insistir): a receita consiste em tornar a vida profissional dos funcionários intermédios (mais caros) impossível, humilhar e achincalhar de forma mais ou menos subtil, com despromoções mais ou menos disfarçadas de remodelações necessárias ao serviço e eles vão-se embora por decisão própria: uma forma de não pagar qualquer indemnização, já que é o funcionário que desiste e pede a reforma se estiver já em situação de o fazer ou pede a demissão.

Insisto nisto pois talvez alguém pegue na ideia de colocar o Estado em tribunal. Pessoalmente não estou em condições de saúde de pensar nisto e muito menos de consultar (a custas minhas) um advogado. Prescindo actualmente de qualquer apoio sindical. Os sindicatos já trataram da nossa vida com o memorando de entendimento: agora vão para a rua no dia 8 deste mês. Já entregaram a rescisão ou denúncia unilateral do memorando ??? Não será isso que terão que fazer antes da manif??? Ou a manif é só por causa do concurso próximo dos professores que qualquer papalvo não jurista saberá que não pode incluir nem irá incluir a avaliação dos professores avaliados já (por mero acaso), nem a ministra pensa fazê-lo, embora mantenha a indefinição para depois dizer que fez compromissos e blá blá blá e neste concurso ainda não mas para o próximo já sim, e blá blá…..????

Sobre esta convocação pela Fenprof (ou plataforma, que agora não dá para perceber bem) da manif de dia 8, em desespero de causa, quando verificaram que os professores iriam sair de novo à rua,  com ou sem sindicatos, nem vou dizer mais nada. Que seja dia 8 ou 15 é indiferente. Mas os media deviam ser informados de que uma vez mais os sindicatos estão a reboque da classe e estão muito longe de poderem alegar que a representam!!!!!!! É o que penso , quem não gostar, paciência, é melhor passar a outro blogue que não diga mal dos nossos gloriosos e honestíssimos plataformistas!!!!!





Assédio moral (2)

25 10 2008

Artº 24 do Código do Trabalho (antigo, mas espera-se que esta disposição não tenha sido alterada)
Assédio
«1 – Constitui discriminação o assédio a candidato a emprego e a trabalhador.
2 – Entende-se por assédio todo o comportamento indesejado relacionado com um dos factores indicados no n.º 1 do artigo anterior, praticado aquando do acesso ao emprego ou no próprio emprego, trabalho ou formação profissional, com o objectivo ou o efeito de afectar a dignidade da pessoa ou criar um ambiente intimidativo, hostil, degradante, humilhante ou desestabilizador.
3 – Constitui, em especial, assédio todo o comportamento indesejado de carácter sexual, sob forma verbal, não verbal ou física, com o objectivo ou o efeito referidos no número anterior.»

O artigo anterior, artº 23, diz o seguinte:

«Artigo 23.º
Proibição de discriminação
1 – O empregador não pode praticar qualquer discriminação, directa ou indirecta, baseada, nomeadamente, na ascendência, idade, sexo, orientação sexual, estado civil, situação familiar, património genético, capacidade de trabalho reduzida, deficiência ou doença crónica, nacionalidade, origem étnica, religião, convicções políticas ou ideológicas e filiação sindical.
2 – Não constitui discriminação o comportamento baseado num dos factores indicados no número anterior, sempre que, em virtude da natureza das actividades profissionais em causa ou do contexto da sua execução, esse factor constitua um requisito justificável e determinante para o exercício da actividade profissional, devendo o objectivo ser legítimo e o requisito proporcional.
3 – Cabe a quem alegar a discriminação fundamentá-la, indicando o trabalhador ou trabalhadores em relação aos quais se considera discriminado, incumbindo ao empregador provar que as diferenças de condições de trabalho não assentam em nenhum dos factores indicados no n.º 1.»

Actualização feita a 26/10/08





Assédio moral (mobbing)

7 10 2008

Não sou jurista e nem sei se se mantém no código do Trabalho artº 23 ( ? no código antigo) esta figura (mobbing). Figura que coloca o ónus da prova na vítima. O que fez o ME aos seus funcionários docentes nesta legislatura foi assédio moral. As escolas e suas direcções concretizaram as medidas . Deveriam ser as direcções das escolas a estar no banco dos réus?

Muitos professores aposentaram-se muito antecipadamente (demissões não conheço ainda nenhuma )precisamente para não serem humilhadas nem terem que entrar em conflito com alguém pessoalmente.

O objectivo do assédio moral é precisamente esse: despedir funcionários sem justa causa e sem pagar qualquer indemnização. No Estado isto passa-se, passou-se e está a passar-se. Com a grande vantagem de ainda penalizarem as aposentações e encaixarem mais uns milhões. Os sindicatos não estão muito interessados em estudar este assunto. Apenas tratam casos individuais e dos sócios. Ora precisamente o assédio moral tem como objectivo tornar a vida das pessoas impossível, atacar-lhes a saúde mental de tal forma que se auto excluem, se aposentam, se demitem e o estado de fragilidade em que são colocadas impede-as de recorrer à justiça, inexistente aliás em Portugal, ou existente para cadastrar ladrões de bicicletas, cavalos e automóveis, prender ladrões de bancos e proteger VIPs prevaricadores e violadores de leis e de miúdos e miúdas. Processos de assédio moral são quase impossíveis: seriam caros e seria muito fácil encontrar na vítima defeitos suficientes para provar que a situação é meramente um conflito pessoal de trabalho e de interpretações subjectivas cruzadas ou que foi tudo imaginação ou mau feitio da queixosa.

O Estado Português deveria estar no banco dos réus. Foram já muitas as vítimas. Vítimas  do Estado e não de pessoas concretas que fizeram o que o Estado mandou (alguns encontraram, encontram e encontrarão iniciativas próprias criativas, como parte interessada em fazer desaparecer da frente um obstáculo incómodo à suas carreiras pessoais). As vítimas, os que já saíram  fizeram-no precisamente por não quererem entrar em processos de conflitos pessoais. Foi do Estado a mão criminosa.

Os sindicalistas a tempo inteiro não sabem ,não querem saber e têm horror a quem sabe o que é a humilhação. Eles safaram-se na boa. Por isso não se dedicam a estudar esta figura nem a defender a possibilidade de colocar o Estado no banco dos réus em Portugal ou em sede de Tribunal Europeu.

PS: Corrigida a redacção. É provável que tenha que escrever cada vez menos neste blog, aqui fica a ideia para um projecto lei que proteja as pessoas de despedimentos colectivos mascarados. Ao menos as multinacionais pagam  indemnizações quando têm que proceder a lay off.