O clima obriga a acordos estruturais, mas eles preferem caçar votos imediatos (post atualizado às 14h 43min)

18 01 2022

Só o PAN e o Livre estão conscientes disto, infelizmente. O acordo para a transição para uma economia verde, carbonicamente neutra, implica alteração de modelo de produção e de consumo , o que só pode ser feito com um acordo muito alargado que ultrapassa, de facto, a tradicional dicotomia esquerda/direita. Estive a ver a primeira parte do debate. Pena não estarem todos a debater isto. Rio sabe de Economia, mas está a fazer o erro de Pedro Passos Coelho, complexidade no discurso, vai levar parte da classe média é certo, mas aquela que está desafogada, perde votos para os populistas do Chega e CDS e também os perde à esquerda para o PS que é bom em propaganda com populismo q. b. também.

A Iniciativa Liberal esteve bem, já há muito que venho acompanhando o discurso de Figueiredo no Parlamento, alguns só agora o descobriram. Esteve muito bem quando relembrou que foi o PS que chamou a Troika ( e chamou bem , pois o país estava sem quem emprestasse para pagar salários aos funcionários e pensões, digo eu). Relembro eu, era essa a situação e Passos herdou isso, foi lá posto por muitos votos improváveis, gente que não suportava mais Sócrates. Muitos que então apelaram ao voto útil no PSD , depois tiraram-lhe o tapete e é hoje talvez o político mais odiado em Portugal. Espalhar o ódio ou silenciar uma defesa é inadmissível por parte de quem o apoiou e sabe de História com maiúscula e apelou ao voto no PSD (para os outros votarem, possivelmente , no segredo da câmara de voto, votou Bloco ou MRPP ou CDU). Costa sabe que o que aí vem não é bom, reitero o que disse , ele não diz o que vai fazer, pois quer poder sair…. pelos fundos da cozinha… deve estar a sentir-se sequestrado como o outro do século passado….. Salvo seja, pois o que lhe sucede até assusta, O Pedrinho Santos parece um menino mimado a quem o mundo todo deve sempre qualquer coisa, não sabe negociar, Nossa Senhora nos livre disso.

Realço a presença de apenas 2 mulheres, situação que apenas Inês Real realçou várias vezes nos vários debates. Há comentadores, quase todos homens (alguns dizem-se feministas e eu farto-me de rir:…) que se acham no direito de tentar ridicularizar as duas, mas sobretudo a Inês, têm-lhe uma raiva de morte por o povo , na sua maioria, ter concordado com a viabilização do orçamento, dando razão ao PAN e não ao BE e CDU….

Só vi a primeira parte do debate, tenho mais que fazer, vou ver a segunda numa pausa qualquer, pois sou daqueles que apesar de aposentados ,lhes falta o tempo para fazer o que querem fazer, projetos não faltam mesmo e gosto de concretizar alguns neste tempo que me resta. Gostava de ter a calma e a idade da Inês , inscrevia-me no PAN e militava , mas as minhas características não me permitem atentar contra a minha saúde. Vou às assembleias da ZIF e está bem assim, pois é lá que está o povo real , aquele que plantou eucaliptos por se ver obrigado a isso, pelas várias políticas do PSD e PS, carregando em cima das pessoas com as limpezas compulsivas…. e que precisa de alternativas , não basta o bla, bla , bla…..mais teria a dizer, fico por aqui quanto às ZIF. As causas do PAN são muito importantes, mas estão bem entregues a um partido jovem , pena ser apenas “urbano” embora eu ache que o país todo se considera urbano…, tal como se considera classe média……mas isso é outra coisa, é verdade que elegerá deputados nas grandes metrópoles, Lisboa e Setúbal, e espero eu, Porto. O debate inter-geracional é necessário também. Muitos da minha idade estão grudados aos tachos, só saem por decreto… os tais que não sabem o que fazer depois, mas deviam ter em consideração os jovens que estão à espera , fora da carreira, foi aliás um dos motivos que me levou a sair precocemente, não por altruismo, mas por sentir que me levavam (o PS e a sua política educativa) a ser uma entertainer muito cara ao Estado, ora não sou nem nunca fui entertainer, sou professora, por isso, dei o meu lugar aos que me vieram substituir, os jovens são melhores no entertainment, é natural e não são pagos para muito mais , diga-se de passagem, … não sei se abriu vaga, espero que tenha aberto e outros colegas tenham aproveitado, é mesmo o que desejo, pois não me arrependo de nada, só acho que me não devem comer pela inflação uma pensão que representa metade do que eu ganhava no ativo (relembro , foram 33 anos de contribuições). Repito este tema, sei muito bem , mas ainda não tenho o Alz , tanto quanto sei, repiso este tema pois saí demasiado cedo , 55 anos, e isso deixa marcas. Sei dos limites do financiamento da Segurança Social, por isso não posso acompanhar os que defendem o “opting out” ainda que parcial. Nada disso resulta no nosso país. Defendo um modelo misto no Sistema Nacional de Saúde, escrevi uma tese de mestrado sobre isso, já no século passado, mas que pode ser útil para percebermos como os Países Baixos , com a reforma Simons dos anos noventa começou a delapidar um dos melhores SNS do mundo (misto) sistema que, recentemente, quase rebentou pelas costuras com a pandemia, mandando doentes para o colosso alemão…. Esta defesa do sistema misto , explica os tais 66% no resultado do meu votómetro publicado no post anterior terem ido parar ao PSD. Sistema misto sim, para aproveitar toda a capacidade instalada e fazer as companhias de seguros participar no esforço coletivo…. que deveria sempre incluir também o setor público, não vejo nenhuma companhia a pagar as despesas quando o seu cliente prefere ir ao SNS público…. Muito mais teria a dizer , mas não quero cansar o leitor. A outra explicação para os 66% é simples: sou federalista, pois acho que não deve haver paraísos fiscais pelo menos na área da moeda única todos deveriam ter o mesmo sistema fiscal…. hehe sei que muitos têm horror a isso., não faço questão… note-se que esta aversão a algumas fronteiras me colocou bem longe do Chega do BE e da CDU no votómetro.

Actualização: Na segunda parte, falou-se do SNS… pois nem vale pena dizer nada pois cada qual tem a cassete já tão assimilada que já nem chip é, mas uma espécie de reflexo condicionado,no entanto, tenho de dizer o seguinte:

O Costa tentou , mas não conseguiu, apresentar os Países Baixos como mau exemplo de “performance ” na pandemia de um sistema misto. Pois , tiveram péssima performance considerando que são um país rico. Mas o mau desempenho nada tem a ver com o facto de serem um sistema misto, é resultado das sucessivas reduções de camas , de meios complementares de diagnóstico e de tudo o mais em que pudessem reduzir, desde os anos noventa do século passado. Relembro que o sistema misto Holandês se explica historicamente e o setor privado era, nos anos oitenta e noventa, totalmente composto por instituições sem fins lucrativos “Stichtingen” , ou seja, fundações que faturam e reinvestem tudo, não há dividendos. Era assim nos anos noventa quando fiz a tese de mestrado. Agora sei que nestas décadas fizeram reduções e mais reduções….o sistema de financiamento é agora de alguma forma único (nos anos noventa ainda tinhamos a pergunta quando da inscrição em qualquer hospital público ou privado: “Ziekenfonds of particulier?” ambos sem qualquer teto, o Estado pagava a diferença uma vez ultrapassado o nível dos riscos pesados, como a idade que torna a doença uma certeza, logo insegurável) e a liberdade de escolha ainda existe tanto quanto sei. As nossas companhias de seguros levam a nata e deixam a águinha desnatada para o SNS. Na Holanda os seguros privados pagam aos hospitais públicos, o doente é que escolhe. Ninguém falou disto no debate , só o contrário, sempre o Estado pagar ao privado…. é típico . O Cotrim deveria informar-se. O setor privado dos Países Baixos é muito diferente do nosso setor privado na saúde. Pode alguma coisa ter mudado e já haver Saúde, S.A. na Holanda, mas não era assim quando o sistema era dos melhores do mundo (o melhor era e é o do Canadá, público, mas controladinho pelos cidadãos a nível local).

Tenho dito. Podemos votar já neste Domingo? Por mim despachavamos isto já.

Não resisto a uma piada a modos que óbvia: para os putos do CDS e do Chega, o mundo rural compõe-se de três tipos de pessoas: caçadores, toureiros e pescadores desportivos…


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Uma resposta

18 01 2022
ftimaroque

Muito interessante o artigo. Esclarecedor. Uma reflexão isenta.

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