O fim da esquerda?

4 07 2019

Só umas linhas para reflexão, pois, desde a bruta discussão sobre se eu sou de direita ou não, estou-me rigorosamente nas tintas para o que aconteça à esquerda. Não me revejo nela, em nenhum dos partidos da geringonça , em nenhum partido que se afirme marxista-leninista e derivados, tipo trotskista ou estalinista ou maoista. Aqui tenho de fazer o sinal da cruz, abomino maoismo e estalinismo, benzo-me apenas por hábito e pensando na figura de Cristo, pois também não me revejo na igreja qualquer que seja, sobretudo, nos dias que correm , na católica onde muito recentemente se encobriu o homicídio de um padre , por saber demais, enterrando-o como suicida (sim, refiro-me ao padre da Maceira, vá venham matar-me também). Pois é , não sou católica, já fui e vi-os trabalhar. Pois é, não sou de esquerda. Já fui e vi-os trabalhar. Agora não sou não. Agora estou de camarote: a ver a geringonça funcionar em pleno , ou seja, à direita!!!!!!!! Hehehe (este é o meu riso sarcástico).

 

Posto isto, as linhas de reflexão estão subentendidas no preâmbulo. Quem quer votar em partidos que, em princípio iriam fazer no parlamento obstrução ao capitalismo selvagem, à destruição da escola pública e do SNS e agora estão não apenas a colaborar com o voto , mas a contribuir para a decadência dos serviços públicos de forma proativa: querem os privados fora da gestão dos hospitais mesmo que essa gestão tenha trazido vantagens muito consideráveis para os utentes, votam a favor de cativações no SNS, votam a favor de uma carreira humilde para médicos e enfermeiros, empurrando-os para o setor privado ou para a emigração. Querem anular definitivamente o nível de exigência necessário para preservar a credibilidade do ensino público , acabando com os exames nacionais e , pasme-se , com os testes, com as notas quantitativas, obrigando os docentes a passar toda a criatura pelo simples facto de existir e estar inscrito numa escola pública, isto ao mesmo tempo que se esmagam as exigências mais razoáveis e justas dos docentes no que respeita a progressão na carreira e se nega aos mais jovens a entrada na mesma , mantendo-os anos a fio como contratados. O mesmo se faz aos médicos que são tarefeiros… tudo com o voto da esquerda, apesar dos discursos esganiçados ou muito falsamente disfarsados de calma (caso de Jerónimo , mas sobretudo ,  caso da Catarina, que muito se tem esforçado e eu preferia o esganiçado antigo e característico ao tom de agora, irrita-me solenemente o ar e tom forçadamente suave e maternalista de primeira ministra que nunca será, felizmente…)

Não será isto o fim da esquerda? As pessoas vão votar em partidos que de esquerda já só têm o folclore e uma ideologia cheia de mofo que nem se atrevem a repetir nas linhas mais fraturantes…  Vão votar na continuidade da austeridade, o dinheiro dos contribuintes a ser sugado pelos bancos mal geridos ou dolosamente mal geridos com falcatruas à mistura. Vão votar no fim da justiça independente que estava, no tempo de Pedro Passos Coelho a combater a corrupção de forma efetiva , apanhando na rede mesmo gente da cor do dito..

Se efetivamente a austeridade deve continuar , diga-se claramente. Mas vemos o dinheirinho dos contribuintes a sair , a sair para os amigos do poder, para os bancos e os amigos dos bancos. Com o beneplácito da esquerda parlamentar. Ninguém vê isto quando vai votar PCP, Bloco?

Vão vendo , aos poucos, pois neste país é imensamente fino votar à esquerda, é moda ser de esquerda, mesmo que o papá seja da linha de Cascais, sobretudo se o papá e a mamã forem da linha de Cascais ou equivalente na cidade do Porto e nas outras cidadezinhas ( não sei onde é a linha fina do Porto, é lacuna minha, mas , calhando até aí falam com a pronúncia das tias de Cascais)….

Então vá, vão votar geringonça! Estamos no melhor dos mundos possíveis sobretudo se nos compararmos com outros claramente piores, países em guerra, pobreza extrema, etc, etc…. Mas já estivemos mais longe deles, até já se importa mão-de-obra desses países com pagamentos miseráveis ( será que os patrões e eles descontam para a segurança social, será que estão legais?) . Bem , a nossa agricultura num país de novos ricos sobrevive assim, só pode… pois não me parece que haja muito portuguesinho ansioso por trabalhar na apanha do morango, da cereja, da azeitona, do mirtilo, da cortiça… Há aqueles que vão mecanizando tudo e sobrevivem…. alguém os pode criticar? Eu critico o uso de pesticidas , quanto à mecanização  já não digo nada, é melhor do que explorar gente ao nível da miséria e fazê-los trabalhar 12 horas… embora os próprios ,se lhes perguntarmos , não sei mesmo se dirão que estão a ser escravizados… Vá votem geringonça pois também na agricultura PCP e Bloco votarão com o governo para que não caia. E votarão ou abster-se-ão pela continuação do eucalipto como árvore dominante, predominante em Portugal, votarão o que for preciso para se manterem no arco do poder de onde estavam arredados desde 1976….

Vão apoiando a entrada de tudo quanto é imigrante muçulmano, sem a mínima razão para cá estar, construam-lhes mesquitas ,  depois queixem-se se muitos eleitores se forem progressivamente desvinculando da democracia enquanto regime… encostando a quem chama os bois pelos nomes e os leva para os caminhos abomináveis do nacionalismo, do populismo racista, homofóbico, machista, …., há já por aí quem afirme nas redes sociais que os “homens portugueses são celtas por via patrilinear ” (sic) ….

Votem geringonça!