Sr Doutor Juiz Neto de Moura, processe-me

4 03 2019

O Senhor Doutor Juiz Neto de Moura achincalhou na sua sentença , na praça pública ( pois uma sentença é para todos conhecerem, as sentenças são públicas num Estado de direito) uma cidadã portuguesa que tem todo o direito de andar com quem quiser no âmbito do contrato civil do matrimónio , acto que apenas poderá ter como consequência e a pedido de uma das partes, a dissolução do matrimónio Esse acto , a que chama adultério, que não é crime nem nunca será enquanto o Estado for democrático, constitucional e laico, apenas poderá ter como consequência que seja dissolvido o matrimónio  que é um contrato civil que não dá ao marido qualquer poder de ofensa à integridade física da mulher, faça ela o que entender no âmbito da sua esfera privada ou pública e sem que ela própria tenha ofendido fisicamente  o marido. Há muito tempo que é assim e não sei mesmo como o Senhor Doutor Juiz chegou a juiz tendo esta formatação intelectual .O marido apenas tem direito ao divórcio e quando muito e no âmbito de um processo civil, poderá ficar com a casa do casal, como tem sido frequentemente decidido em sede de justiça civil. O matrimónio, num Estado LAICO como o nosso não é indissolúvel  e tanto um como outro sabiam-no quando assinaram o contrato CIVIL. Qualquer dos cônjuges tem direito ao divórcio quer a outra parte queira, quer não.

Essa sentença foi vergonhosamente assinada também por uma Juíza, Luísa Arantes, essa também e ainda mais deveria andar nas bocas do mundo, pois Vossa Exa é apenas mais um macho latino, solidarizando-se com os machos latinos que malham nas mulheres por ciúmes. Esta juíza assina acórdãos sem ler, como terá, segundo vários jornais, confidenciado a alguém (para tentar fugir à responsabilidade do que lá é dito).

Processem-me.

PS:Adorava ver o julgamento de Ricardo Araújo Pereira no caso do juiz Neto Moura. Seria um show de rebentar com as audiências todas, se algum canal obtivesse o exclusivo

Só quero acrescentar uma coisinha: Estamos , de facto, numa sociedade patriarcal, pois a figura de mulher “enfeitada com uns belos cornos” não impressionará o juiz  e tenho quase a certezinha de que , se uma mulher (caso muito raro mesmo) acabar no seu tribunal por ter dado uma sova no marido por este ter uma amante já o acórdão seria outro, pois o senhor doutíssimo juiz não teria textos antigos nem sociedades onde apedrejassem o adúltero. O episódio do Segundo Testamento é conhecido como o episódio da “adúltera” , e Jesus relembra toda a lei que condena também os homens, episódio que nem a Igreja compreendeu em toda a sua dimensão nem antigamente nem nos dias que correm, é aliás um dos mais difíceis de decifrar, pois tenho para mim que Jesus queria mostrar o absurdo da lei hipócrita.

 

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