Minho: ainda existe?

21 08 2018

Será que ainda existe algum cantinho de verde escuro e húmido como de todo o Minho me lembro, ou está verdusco-cinzento de eucalipto e seco? Espantam-me as temperaturas , surpreendem-me os fogos numa região que era fresca, húmida, paisagem dominantemente rural e a montanha tinha pinhal, e folhosas de folha caduca. Até receio lá voltar. Tal como voltar à Madeira… não quero ver eucaliptos nas serras da ilha verde … A Laurissilva está protegida, mas está nas  vertentes norte tanto quanto sei. Tudo o resto está livre para a ganância de quem considera que ser proprietário de um bem natural – a terra- lhe dá todos os direitos de lá fazer o que bem lhe apetece. Claro que deveria ser banido completamente da ilha. Banido do continente também, sobretudo em serras onde outrora cresciam castanheiros, carvalhos, nogueiras, cedros, sobreiros….

Procurei por descrições do Minho antigo e só encontrei on line este artigo intitulado ” O Minho na Literatura de Língua Galego-Portuguesa”em pdf  publicado em Cadernos Vianenses, tomo 24, 1998, p. 221-230.

Não consegui fazer uma cópia do  excerto do texto que achei interessante, mas vale a pena ler todo o artigo.  Deixo só o poema de Diogo Bernardes (1520-1605): Tive de transcrever , uuufff

“Verdes, e baixos vales, alta serra,

Duras, e solitárias penedias,

Correntes águas, frescas fontes frias,

Testemunhas do mal que em mim s’encerra:

 

De suspiros o ar, de pranto a terra

Encho: vós o sabeis, selvas sombrias

Onde chorando vou noites , e dias

Saudades d’Amor, d’ausência guerra.

 

Se o vosso natural só de si move

A triste sentimento os mais contentes,

Que sentirão os tristes de vontade?

 

Ah não vos espanteis; que em vós renove

Saudades passadas, e presentes,

Pois tudo o qu’em vós há, é saudade”

 

De literatura pouco percebo, mas este autor é do século XVI, por isso dificilmente haverá especialistas na matéria. Seja como for, é deste Minho que me lembro. Será memória de outra vida?… Não não é.

Já sei que alguns pensarão: mais saudosismo… Pois  é, haveria miséria há 50 anos, sem dúvida. E agora menos. Também há menos, muito menos crianças… e muito mais eucalitpos . Alegrem-se pois, esse é o nosso desenvolvimento luso típico :arrivismo, ganância , ignorância, novo riquismo, pato-bravismo e mais ismos….Chamem-me saudosista a ver se me importo. O certo é que não me apetece ir ao Minholiptal!!!!!!!

Será possível que não entendam que há alternativas a este pato-pravismo dos eucaliptos??????

Tristeza sinto eu , mas é outra, que o poeta sentiria também por certo, se por divino acaso lá voltasse com memória do tempo em que viveu.

 


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