Preposições na língua portuguesa … a lei e a floresta

5 04 2017

Fui rever a gramática aqui.
Há já muito tempo que ando para escrever este apontamento a respeito da criatividade dos portugueses no uso das preposições. Pessoalmente, fico irritada com essa criatividade pois acho que deve haver alguns padrões invariáveis, mas isso sou eu que sou conservadora.
Ainda agora no CMTV, “as autoridades tentam descobrir as causas para este acidente”. Nada de mal todos entendem mas… eu pensava que deviam descobrir as causas deste acidente, ou então os vários factores que contribuíram para este acidente.
Acidente que não quero comentar, verdadeiramente é melhor não. Só digo isto: ontem morreram de uma só vez tantos quantos regularmente têm morrido em “fábricas piro-técnicas” em 7 anos e por isso agora vão ver se a lei chega ou não….
Entretanto o Costa cumpriu (com )o prometido quanto à prevenção de fogos? É que não tenho ouvido nada e aqui nada chegou quanto a ações concretas…. houve um período de candidaturas a fundos europeus, mas era claro que seriam elegíveis apenas os grandes produtores . Os pequenos não vão chamar “exploração florestal” aos nacos de terra que têm com eucaliptos…. Nada havia para efeitos de reconversão da floresta em minifúndio, ou apenas para ordenamento da mesma (recuso-me a escrever “limpeza”, a floresta com mato não é floresta suja é floresta com bosque sub-bosque e manta morta -ramos a apodrecer mais as folhas- é uma floresta completa não é uma floresta “suja”, desculpem estar sempre a repetir isto mas é preciso). “Limpem” a 50m das casas, para proteger as casas e pessoas , mas não façam só a lei e mais as ameaças aos pobres “agricultores” em subsistência, envelhecidos, vivendo essencialmente das magras reformas e de algumas couves e batatas que ainda conseguem produzir. Ajudem as pessoas! Obriguem quem pode fazê-lo. Mas se “limpar” 50 metros de terreno (ou seja 100m) pode significar arrancar tudo o que é árvores de fruto ou de sombra, então vão dar uma volta ao bilhar grande a ver se eu lá estou. Eu recuso-me a cortar a floresta por haver casas a menos de 50m. Não tenho um latifúndio e estamos no centro do país em zona de minifúndio. Se eu quisesse viver rodeada de betão deixava-me ficar no concelho da Marinha Grande  ou em Leiria. Retiro a maior parte do mato e dos ramos da floresta que está em terreno urbano. Mas não me vão obrigar a cortar as árvores, julgo eu. Claro que nem tomam em consideração o IMI pago por terrenos urbanos florestados. Nós fazemos a “limpeza”. Deixamos alguns arbustos, pois deixamos, a pensar nas abelhas e outros insetos próprios de uma floresta. A pensar nos coelhos e outros bichos que se alimentam de coelhos… Bizarra forma de pensar não é? A maioria dos leitores ( se eu tivesse muitos 🙂 ) salivaria só de falar em coelhos bravos… Um coelho destrói tudo… pois é, sobretudo se os predadores forem dizimados também. Se envenenarem os ratos e os caracóis , morrem também coelhos, morrem cobras e toda a cadeia até ao predador máximo característico deste cantinho à beira mar plantado que não morre mas adoece e não sabe porquê, mata tudo o que mexe e planta eucaliptos em massa e pragueja contra a falta de abelhas e de fundos do Estado para tudo e mais alguma coisa.
Escrevi , como terão reparado , “cumpriu (com)”… eu sempre considerei o verbo cumprir transitivo e por isso quem cumpre, cumpre alguma coisa . Agora quase todos dizem cumprir com e o verbo deixou de ser transitivo… bem eu vou continuar a dizer como antes e espero cumprir esta promessa 🙂 .

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