Revisitando o passado…

22 09 2016

Estou a ler, como tinha dito, o livro de P.Guinote, 08/03/08. Já vou a meio. Um livro necessário para que não se esqueça nunca… Distanciado, embora tenha testemunhos com forte carga emocional, é sobretudo um trabalho documental, os documentos são importantes, eu arriscaria dizer que é um trabalho de recolha de registos históricos, mas não sei nada da ciência respetiva, para adiantar o que quer que seja a esse respeito. Fica ali registado quem fez o quê, quando, como e a quem. E fica em livro e isso é muito importante. Pensei que me iria ser difícil reviver aqueles anos (que não começaram em 2008) mas não, até ajuda, pois fica bem claro nessa obra como tudo se foi desenvolvendo desde 2005.
Só vou a meio, mas já dá para dizer isto.
Não sei se o autor refere aquilo que vou escrever seguidamente, ainda não acabei o livro, mas devo dizer que, quanto às fotos, não ficou registado claramente algo de muito importante que só quem, como eu, lá esteve dentro, reparou com surpresa . Não sendo “profissional da luta”, também não sou daqueles que nunca tinha ido a manifs, pelo contrário, até às da Função Pública (sempre da CGTP) eu ia quando podia, mesmo sabendo que os professores sempre se consideraram um grupo especial, ia sozinha se fosse preciso, embora embirrasse um pouco com a porta voz , sempre achei que afinal somos todos funcionários públicos, para o melhor e para o pior. O que foi inteiramente novo para mim nessa grande marcha dos professores foi a mistura de bandeiras da FenProf com as bandeiras da FNE, para mim algo completamente novo, sendo que as da Fenprof eram brancas e as da FNE avermelhadas ou assim, já não sei mas lembro-me de ter achado algo surrealista🙂. Apesar de ter estado na reunião das Caldas da Rainha e me ter inscrito na APEDE (para sair pouco depois, mas isso não interessa agora), na manif não desfilei com os movimentos, mas integrada, com os colegas da minha escola, na minha região (centro) com os sindicatos. De vez em quando saía e via desfilar. Nunca a região centro teve tanta gente numa manif em Lisboa. Verifiquei algo interessante, o SPGL desfilou com menos pessoas do que o Norte e o Centro. Compreende-se porquê: o fenómeno “movimentos”. Mas mesmo isso não sei se explica, alguns movimentos eram também do Norte , acho mesmo que muitas pessoas fizeram como eu e desfilaram com os sindicatos, por região. Foi uma experiência nova. E sentia-se nas pessoas uma alegria genuína de estarem todas juntas, a dizer o mesmo, a cantar canções que vinham improvisadas e ensaiadas nas manifs regionais e mesmo nos autocarros.

Mais uma nota esta mais pessoal: eu vim sozinha de carro, queria ficar em Lisboa. Levei o defender🙂 . Foi interessante , pois já tinham começado os ataques de pânico e deu-me um na auto-estrada (acho que por não ter saídas suficientes, é um pouco claustrofóbico apesar de nunca ter tido claustrofobia). Tinha colocado um pano preto no espelho externo para mostrar ao que ia… maluquices🙂 . Tive de parar, nessa altura ainda não sabia respiração ioga para controlar. Parei na berma. Do outro lado da estrada no sentido sul norte aparece um automóvel da GNR, com megafone a perguntar se o carro tinha empanado. Respondi que o carro estava bem , a condutora é que nem por isso, mas só precisava de descansar uns minutos. Que não, não pode, tem de seguir, disseram, mas perguntaram se precisava de ajuda. Eu declinei a ajuda e segui viagem. Lembro-me que ajudou ter telefonado para colegas que seguiam num carro noutra autoestrada e isso acalmou-me e lá me passou o pânico… que voltou no Terreiro do Paço. Era muita gente, tive de sair para as ruas laterais para respirar. Agarofobia? Nunca tive. A verdade é que estava em plena depressão. Que me levaria à reforma. Relembro , a minha aposentação não foi por incapacidade , recusei sempre assumir a incapacidade como forma de ter a reforma completa e saí com penalização máxima na altura (relembro pois os leitores não vão procurar e muito menos encontrar os posts vários onde esclareci esta minha forma de sair do ativo….mas é muito importante). Incapazes são os que governaram o país nesses anos, ou seja nos anos de Sócrates!!!!
Depois de Sócrates (sim porque a segunda ministra da educação não conta, quem mandava no ministério era Sócrates) veio Crato, a inércia é uma lei da física e o período da intervenção da troika estava a decorrer (tendo começado no tempo de Sócrates, como sabemos, mas muitos esquecem por razões que nem quero aqui aprofundar). Tudo parece ter continuado na mesma, à exceção de dois aspectos que acho muito relevantes: os professores titulares foram ao ar, e a avaliação do desempenho tornou-se suportável, tanto quanto sei. O resto meus senhores, fizeram-no os lobbies instalados nas escolinhas, com grelhas e papelinhos… não foi o Crato, acho eu.


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