Maria João Pires, 2012 e algumas ferroadas minhas

19 08 2016


Adoro a forma como pensa de forma livre,buscando a melhor palavra que nunca é a melhor, nota-se que precisaria do piano para a pronunciar, para formular a ideia… A forma como comunica oralmente é mesmo especial. Gostei particularmente da anti-publicidade ao piano moderno e como ela distingue a sedução da simples fruição da música. Atenção que ela não se refere aos pianos eléctricos ou eletrónicos, nem sei como se chamam. Ela fala dos pianos onde toca normalmente.
Quanto ao que diz no início, que a música deveria fazer parte de toda a educação desde muito cedo só tenho umas ferroadas para quem enfiar a carapuça. Todos concordam, não é? E o que fazem para isso? Dizem que sim. Quando faltam horários para os da casa, quem se preocupa em criar mais um espaço disciplinar, cujas horas teriam de ser atribuídas a professores vindos do conservatório ou de outras escolas de música? Hipócritas! São iguais na forma de atuar, na moral, na responsabilidade, aos que deixaram que o projeto de Belgais falisse. Quem não sabia que um projeto artístico e cultural como aquele nunca seria autosustentável, quem não sabia que seria sempre necessária a ajuda do Estado? Ainda a vi a conduzir um trator, o que , a bem dizer, racionalmente falando, não faz sentido nenhum, ou seja, colocar em risco aquelas mãos, aquela pessoa era disparate. Mas fazia todo o sentido, fez sentido para Maria João Pires, aliás ,o trator é apenas um exemplo. Faz parte dela esta ousadia, esta rebeldia, esta irreverência, esta forma de estar na vida. Sobre Belgais , na altura em que encerrou (2006) e a “quinta” ficou à venda, muito se disse e muito mal se disse desta grande pianista. Porque a hipocrisia da esquerda e da direita (são iguaizinhos no que à cultura diz respeito) é inesgotável. Eles entendem-se todos tão bem quando é preciso injetar dinheiro da CGD, quando se distribuem cargos e tachos!!!!!!!!!! E também quando é preciso estrangular a cultura para subsidiar a tortura, ou seja, as touradas, estão todos de acordo… “Cortesões, vil raça danada” (há muito tempo que não ponho esta ária a minha preferida do Rigoletto)
Maria João vive no Brasil onde possivelmente haverá mais gente “autêntica” a apreciar a sua música.E, segundo a wikipedia, não é verdade que tenha renunciado à nacionalidade portuguesa. Já terá dupla nacionalidade, calculo eu, pois há muito que a pediu.


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