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16 08 2016

Astralidade, zonas saturadas, a noite suspende um ramo.
E a luva de ouro a antebraço inteiro
-haste,
Os dedos em cima demoradamente abertos.
Ele pinta as chamas atadas umas às outras no retrato.
«A criança falou da personagem laranja fogo através do campo.»
«Mete medo.»
«Como se desentranha do caos?» Enquanto em redor da testa
Um anel barométrico. «Desfaço.»
«É a mim que desfazem se desatam as chamas.»
«E a história de Deus?»
Deus está em tudo? perguntou a criança, Deus
é o cubo de açúcar que se dissolve todo no leite todo,
bebe-se.»
O ramo , a luva de ouro, a luva laranja fogo a remexer no escuro é a noite
que se transfigura, a noite
concentrada, grande atmosfera infusa aureamente respirando?
Que me faça, alento, no retrato em tela
Com ramo e halo. Da força em amarelo: a minha guerra nas florestas
Esbraseadas sombra
A sombra, até luzir. Rosto que Deus,
À volta dissolvido, deixe arrancar-se em luva que desabrocha
Do caos unânime.
«E a criança?»
«Era um planeta girando com a noite universal no meio—-»

em “os selos”
Herberto Helder, Ou o poema contínuo, Assírio & Alvim, Lisboa 2004, p 473


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