Península: Lucidez precisa-se

4 05 2016

Seria muito bom que houvesse lucidez no campo de quem quer mudar as coisas para melhor , ou seja, tranformar Portugal , por exemplo, num país mais justo… e aqui começa o erro de raciocínio. Não deu já para perceber que não se pode fazer uma espécie de parêntesis e lá incluir toda a realidade , como se de um pormenor lateral se tratasse…? A realidade é isso que todos conhecem: a globalização que existe mesmo que não gostemos de algumas das suas consequências. Todos sabemos que a força motriz da globalização é económica, e no meio desse processo desenvolveu-se tecnologia que se foi tornando acessível a um número crescente de pessoas… a internet é um exemplo paradigmático dos efeitos contraditórios do capitalismo global: essa rede que permite que de um dia para o outro se faça uma manifestação, que em cerca de poucos meses se construa um movimento, como o “Podemos”, mas não só, como os vários das “primaveras árabes”. Espanha: o que quer o “Podemos”? O socialismo? A revolução? O fim do sistema capitalista na Espanha? Na Europa? No mundo? E como se faz tal coisa sem verter muito mais sangue ainda do que aquele que já corre um pouco por todos os lados, graças ao extremismo islâmico?
França: aí a esquerda pensa o mesmo, quer uma França justa. Mas o mercado de trabalho é o que é e não aquilo que decretemos que seja. Uma legislação laboral rígida não vai impedir nunca que haja precários pela simples razão de que os trabalhadores europeus ou dos países ditos mais desenvolvidos estão a competir com as economias ditas emergentes que têm um custo de vida ridículo se comparado com os países do euro forte embora agora menos forte. O resultado é isto que temos. Por outro lado ninguém luta por uma harmonização fiscal , cuja ausência permite os paraísos fiscais aqui nas nossas barbas, no seio da U.E. A Irlanda é o exemplo mais significativo. Saiu de uma situação muito parecida com a nossa em termos de dívida pública e agora está bem e recomenda-se.
A Europa e o Mundo reformam-se por dentro, ou temos mesmo a barbárie. Não vejo alternativa ao sistema capitalista. Assistimos às várias experiências feitas. O ser humano é … o ser humano e sempre conseguirá tranformar a seu proveito as teorias sociais mais “puras” e bem intencionadas e isso em ambiente ditatorial, sempre! Apontem-me um exemplo em que assim não tenha sido.
O que vai acontecer em Espanha ? Novas eleições para termos o mesmo resultado? Instabilidade nos “mercados” , os tais que são odiados sem que ninguém saiba ao certo o que são… A Espanha é um colosso , não é o cantinho de 10 milhões de habitantes, residentes note-se, não estou a dizer nacionais. As ondas de choque do que acontecer em Espanha não se repercutem só em Portugal, chegarão ao leste da Europa …
A Europa que a esquerda actual quer diversa , com a soberanias intocadas não é muito compatível com a defesa de uma “revolução global”, que inevitavelmente seria seguida de ditadura global… Por outro lado, aqueles que acham que uma revolução num só país é possível e eficaz defendem ,calculo eu, a saída do euro e o fecho de fronteiras e aí percebemos por que razão o Siriza se aliou à extrema direita. Mas nada disto é explicitado, apenas se sente que subjaz às teimosias uma teoria qualquer esclorasada ,obsoleta, completamente desligada da realidade.
Quando é que a realidade concreta entra nas análises destes cérebros iluminados, bem intencionados alguns, outros apenas ávidos de protagonismo ou poder, como os demais. Humanos, portanto. Demasiado humanos….
Nem vale a pena insistir no que defendo, mas eu repito: uma maior integração europeia , a Comissão nomeadamente o seu presidente deveriam ser eleitos directamente pelos cidadãos europeus, ou indirectamente como nos EUA, capitalismo regulado, harmonização fiscal, um banco federal, uma taxa de juro em todos os Estados membros, um ranking único para a UE. Ou seja, uma federação que esses mesmos senhores da esquerda actual consideram algo demoníaco, rasgam as vestes só de ouvirem falar dessa palavra. Ou então: tenham a coragem de sair, sair do euro e fazer as coisinhas como dantes : pequeninos , pobrezinhos , mas muito felizes com a inflação a dois dígitos, salários a serem corroídos pela mesma, maior miséria, mas muita “soberania”(na cabeça de alguns): cunhamos moeda e desvalorizamos.. pois só há um problema : temos uma dívida. Quem nos vai financiar as importações ? Quem ficará a investir num país assim? Como vamos produzir sem termos tudo o necessário para o fazer? Descobriram petróleo ou simplesmente acham que não pagamos a dívida e “prontos”… Pois, mas então, volto ao mesmo, quem nos vai financiar a economia real, depois de termos mandado às urtigas os nossos compromissos? Para que queremos as notas da casa da Moeda se nada ou pouco houver para comprar?
Inteligência , lucidez, precisa-se com urgência.

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