RTP memória: “Depois do adeus”

16 03 2016

Estou a ver pela primeira vez.  Era preciso contar esta história também : a dos “retornados”como ficaram conhecidos; a palavra ofendia quem nasceu nas antigas colónias. Calculo que fosse contrasenso , como poderiam ser retornados se nunca tinham vindo à então “metrópole”? E todos sabemos como a palavra “retornado” se foi envolvendo de carga negativa durante o PREC e depois, talvez mesmo mais  depois do 25 de Novembro. Os dois primeiros episódios, quando a família chega em pleno PREC, foram difíceis de acompanhar. Parece-me mal estudado todo o contexto, exagerado, como tudo se reduzisse a escaramuças entre maoistas e PCP, entre o Norte o Sul e barricadas por todo o lado com a tropa a revistar carros… nem localizam no tempo quando isso aconteceu, fazem parecer que foi durante todo o PREC. Não houve nada disso a não ser em dias devidamente datados por acontecimentos que estão documentados. Plenários dentro dos autocarros para decidir para onde deve ir a carreira, que entretanto não arranca , só pode ser uma grosseira metáfora do que se passou. Vou continuar a seguir a mini-série, sobretudo por me interessar saber ou tentar imaginar o que podem ter passado aqueles que tudo deixaram nas ditas colónias , trazendo apenas a roupa e pouco mais, sem ter acesso à sua conta bancária… sendo obrigados a viver da esmola das famílias ou do Estado. Muitos dos que vieram nessa altura tinham à sua espera bons empregos e casas, mas a maioria não creio. Seria necessário um estudo a sério, distanciado, histórico , sociológico, psicológico sobre este fenómeno, de meio milhão de pessoas entrar num país que era o deles, mas que mal tinha para sustentar quem de cá nunca saiu… Estudo esse com muita atualidade, dada a situação vivida pelos refugiados atuais, convidados explicitamente e acarinhados pelas várias forças políticas portuguesas, todas muito humanitárias, muito generosas, sobretudo desde que se soube que a maioria dos refugiados da Síria  quer é a Alemanha e que vêm muito menos dos que os 4000 …. Seria bom que vissem esta minisérie ou revissem pois  muitos dos “retornados ” estão velhos mas têm memória. Muitos nem estão velhos, são entradotes,  eram muito jovens quando vieram , tornaram-se uns de “esquerda” outros “de direita” e integraram-se todos muito bem, acho eu. Mas será que esqueceram? Será que resolveram essa ruptura nas suas vidas, quando muitos só conseguiram voltar a ver , enquanto turistas, Angola ou Moçambique quando as guerras civis acabaram (ou seja, muito recentemente) nesses novos países independentes ?

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