Bébés-vários e o dia da mãe…

3 05 2015

Hoje é dia da mãe e o que vou dizer não é agradável. Mesmo assim, vou cumprir o que disse e escrever sobre o bébé-medicamento. Em primeiro lugar, é um nome horrível. Na notícia do Público aparece uma alternativa de nome, sugerida por uma mãe de um bébé destes, que é bem melhor: “bébé-salvador”. Ser gerado apenas com o objetivo de ser uma espécie de armazém de peças sobressalentes é uma ideia sinistra e não me parece que possa acontecer havendo todo um percurso burocrático a cumprir.Pode acontecer sim, mas nos subterrâneos da venda ilegal de orgãos. Parece-me que uma mãe e um pai desesperados possam querer gerar um filho de outrém para tentar salvar o que têm doente, mas vão talvez amá-lo mais, pois veio ao mundo para salvar. De outra forma não vinha? Não sabemos…. e há por aí muito bébé-casamento, muito bébé salvador de casamentos, muito bébé-espelho-meu, muito bébé-brinquedo…
Como é o dia da mãe e eu não tenho filhos, é um dia para mim um pouco estranho. Lembro-me da minha mãe, falecida. Não há portanto telefonema a fazer. Nem a receber. Acho que nestes últimos anos tenho andado de certa forma a fazer luto pelos filhos que não tive – penso que esta ideia fui buscar a um filme velhinho “Quem tem medo de Virgínia Woolf” , filme que vi há muito tempo… esta imagem forte ficou, nunca mais me esqueci dela…talvez porque algo me dizia que assim seria comigo. Não dramatizo, pois tenho a grande vantagem de não andar a preocupar-me com eles toda a vida. Eles – os tais hipotéticos bébés-fantasmas que me desculpem, mas é assim. Não dramatizo a minha situação que é muito comum neste país, não tem nada de dramático. Filhos, ficam para a próxima vida. Vi um filme num destes dias que muito me comoveu, o título é “Começar do zero” não sei em Inglês, filme sóbrio mas muito intenso. É que há ainda os bébés-fantasma, os nados mortos. E há os filhos fantasma. Esses horrores também tive a sorte de não experienciar. Penso nessas mães hoje muito especialmente, pois deve ser um dia particularmente difícil para elas.
Agora, algo positivo: não há muitos bébés que tenham vindo ao mundo pelos motivos perfeitos ditados pelas comissões de ética…. se assim fosse , não seríamos 7 mil milhões, seríamos muito menos, mesmo muito menos, talvez até todos envelhecidos sem descendência😦
Parabéns às mães pela coragem de arriscar criar e educar filhos e filhas, e coragem extra para quem está a pensar ter um (ou mais um bébé). Um conselho: não esperem pelas tais condições perfeitas. A bem ver, nenhuma mãe ou nenhum pai conseguiu reunir tais condições perfeitas quando decidiu ter um filho.


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