Sobre o “burnout”

28 02 2015

No facebook alguém partilhou este site interessante sobre o assunto . Publico aqui dois comentários e as minhas respostas pois pode servir para ajudar alguém com este problema e temo que sejam muitos no sistema de saúde e ensino públicos.

Barbara :
Sou bancária, tenho 46 anos e sofro com a síndrome do pânico, cujos sintomas são bem parecidos. Sofro pressões diariamente para cumprir metas, ou melhor vender produtos para os clientes, que obviamente precisam querer comprar tais produtos. Acho injusto ser cobrada para fazer algo que não depende só de mim. O pior é que nada satisfaz. São metas surreiais e a cobrança faz com que o funcionário se sinta um incompetente, uma pessoa sem compromisso. As palavras são tão cruéis que fazem com a pessoa acabe acreditando que é realmente tudo isso. Quando comecei a trabalhar nesta instituição, havia cobrança sim, mas havia uma maneira mas profissional para tratar as pessoas. Hoje, falta aproximadamente três anos para me aposentar.
Não dá para perder todos benefícios que já conquistei, e sair para me aventurar em outra empresa. O fato é que eu poderia até dar mais um tempo para me aposentar, mas infelizmente não vou suportar. Todo dia qdo chego em casa tenho que tomar tranquilizantes , além de antidepressivos. Fico sentindo um mal estar, fadiga, desinteresse para fazer atividade física ou qualquer outra coisa, ainda que seja prazerosa.

Em resposta a Barbara postei o seguinte comentário:
Reformei-me aos 55 com metade da pensão, com 33 anos de serviço no ensino secundário. Por esgotamento e também porque a dada altura achamos que quem se adapta a uma situação humilhante está a prostituir-se. Senti-me isolada nas minhas opiniões, incapaz de lidar já com situações criadas por toda um envolvente agressiva para com os professores que eram considerados os culpados de todos os males, acusados de nada fazerem enquanto os alunos faziam o que lhes apetecia nas aulas e as ordens superiores eram para passar todos, quer aprendessem quer não. Pois comigo não, eu disse não. Os ataques de pânico foram um dos sintomas. Aprendi a controlá-los com respiração yoga. Claro que meti baixa e tratei-me com os anti-depressivos e ansiolíticos prescritos pelo médico.Yoga ajuda muito. Mais ainda ajudou foi a reforma, mas ainda não larguei os medicamentos, embora a dose esteja reduzida. Os ataques de pânico são um horror pois parecem ataques de coração, por isso aconselho que aprenda a respiração e o exercício de descontração yoga. Não é preciso ter tempo para fazê-los. A respiração faço sempre quando me enervo , até a conduzir dá para fazer. A descontração faço sempre antes de adormecer.

Neusa :
Quando saio do trabalho, apago, apago mesmo, esqueço tudo e vivo para a família, quando estou no trabalho vivo intensamente todos os problemas e procuro solucioná-los, mas somente quando estou no local de trabalho. Tenho horário certo para deixar o trabalho e não trabalho em casa de noite ou finais de semana. Tenho um interesse pessoal que me ajuda muito: eu corro. Faço corrida de rua e me dedico muito, inclusive me inscrevo em provas importantes e foco nesta prova, quando algo começa a incomodar eu penso na minha corrida e tudo se resolve!!

Em resposta a Neusa postei o seguinte comentário
É a única solução mas no ensino é difícil conseguir fazer isso, levamos o trabalho para casa. Nunca está acabado e se estamos a descontrair como todos no fim de semana temos a sensação de que deveríamos estar a preparar aulas ou corrigir testes , pois não conseguimos fazê-lo durante a semana , sobretudo quando os dias de trabalho mesmo quando parecem curtos nos esgotam completamente para o que quer que seja quando saímos da escola. Há momentos em que precisamos de descontrair depois de uma aula ou duas em que tivemos de resolver problemas mais ou menos graves com alunos sem educação em casa, sem valores, ou arrogantes, cheios de tudo em casa , exigindo tudo e não se sentindo obrigados a nada!!!!!!!!!!!!!!!! Se estamos no café à tarde a descomprimir de uma manhã que valeu por uma semana inteira, todos os que estão no café e não são profs acham que nada fazemos….. Eles deviam ir dar aulas durante pelo menos um ano e depois falavam. De outra forma deviam respeitar quem precisa mesmo de momentos de descontração para que amanhã se possam resolver problemas que de outra forma só se agravariam. Neste momento assiste-se a algo terrível. Prendem os profs à escola e não há momentos de descontração. Estamos em pleno “burnout” massivo! Querem qualidade no ensino? Na saúde? Não critiquem profs e médicos se estiverem no seu intervalo a conversar e a fumar o seu cigarrinho, sim ouviram bem, ajuda muitos a dar cabo da saúde dos pulmões, mas a cabeça agradece a pausa do cigarro e o convívio com os outros fumadores e os não fumadores que não se julgam PUROS E EXCELENTES e sabem as suas limitações e que se deslocam aos lugares dos fumadores para esse convívio🙂. OS que se julgam PUROS E EXCELENTES exigem dos outros aquilo que nunca saberão dar na sua profissão: humanidade e compaixão responsável. Passar os alunos só porque assim mandam as autoridades é dar uma prenda envenenada. É irresponsável. Muitos jovens, mais tarde adultos não agradecem!!!!!

E acrescento agora aqui: Sabem que mais? Passar um aluno pode ser comparado (salvaguardadas as diferenças em termos de consequências físicas), a uma alta precoce dada por haver falta de camas ou porque já não se está a ver com a devida clareza o quadro clínico de ninguém por falta de tempo ( estou a pensar naqueles médicos que estão mesmo assoberbados de trabalho, não naqueles que estão apenas a tentar livrar-se de um velho por verem que há família e a recusarem auxílio médico , o que me aconteceu bem próximo, numa noite calma nas urgências de um hospital público e que resultou na morte de meu pai em 2005).

Quanto aos professores , como podem eles analisar o caso de cada aluno quando têm turmas de 30 cada um com o seu problema, e podem ter 4, cinco, seis ou mais turmas, consoante os tempos lectivos das disciplinas que dão. Quando depois da aula em que foram insultados por alunos , impunemente, em que tiveram que mandar sair um ou dois, ou não mandaram e engoliram os sapos, têm de corrigir testes e preencher um sem número de papeis idiotas e ir a reuniões quando já ninguém consegue ter cabeça para nada e que, por isso, de nada servem???????Reuniões onde por vezes têm de engolir elefantes, pois há os tais puros e excelentes, mais papistas que o papa e que carregam os colegas com papéis, papelinhos , relatórios inúteis, apenas porque PODEM fazê-lo, alguém lhes deu o poder de o fazer… e mais não digo.


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