Sobre o sistema dual e ensino profissional

6 11 2014

Apesar de achar que vale a pena ler todo o debate, faço aqui apenas a transcrição e adaptação (com alguns pormenores extra) de comentários meus feitos no blogue Educação do meu Umbigo no dia 5 de novembro 2014:

O sistema dual se for aplicado em Portugal não vai resultar, enquanto for pensado para ocupar os horários zero ou manter empregos de professores. O nível de exigência é que é a chave, os Alemães também têm muito “dual” que deixa a desejar pois têm de fazer compromissos (demasiados na minha opinião) dada a composição socio-cultural de muitas dessas escolas, com minorias que não falam a língua oficial ou a falam muito mal, com problemas identitários associados , que cá temos poucos, dado que aqui temos relativamente pouco islamismo (não é a religião que está em causa , mas neste grupo social, fala-se árabe em casa , a socialização e a integração na sociedade alemã ou noutras sociedades europeias é o que sabemos ou calculamos) . O sistema dual nas universidades resulta mesmo, aí já não há compromissos exagerados, ou se integram ou vão directamente para o mercado de trabalho como toda a gente… (ou não, os subsídios se subsistência são tentadores…. mas isso é outro problema que nós também temos, mas em menor escala).

Por outro lado, em Portugal, há o problema das empresas que querem escravos e não formandos. Para o ensino dual resultar, a bolsa de empresas deve ser muito bem seleccionada e isso sabemos que nem sempre é fácil, mas não impossivel. O sistema implica mais horas nas empresas e portanto, menos na escolinha e implica também exigência na empresa: o menino falta ao trabalho, chumba, tão simples quanto isso. Por aqui , vai o director de turma à empresa pedir para desculparem o menino ou menina, mesmo já adultos com 18, 19 ou mais, note-se. Falo do que vi, tentei opor-me mas nessa altura já outras forças reinavam na escolinha e fui ultrapassada sem mais. Na prova final aceitaram um relatório final entregue no próprio dia da apresentação da prova a presidente do Júri corrigiu o trabalho ao mesmo tempo que os outros alunos apresentavam os seus relatórios finais (entregues na data oficial).

Defender o ensino vocacional e profissional, tal como eu o entendo, não estando no activo, já não é viável, mas fiz o que tinha a fazer até me ser possível dizer ou fazer algo. Ninguém poderá dizer que não fiz e não disse nos locais certos o que achava sobre a necessidade desse tipo de ensino na condição de preparar de facto, qualificar de facto e não apenas para dar papelinhos que dão equivalência da treta aos vários ciclos. Podia fazer mais? Claro, declarar guerra às práticas acima referidas , ou seja , ser considerada pessoa non grata , trouble maker, o que aconteceu, de facto. Elegiam-se e nomeavam-se os coordenadores de departamento por “não levantarem ondas”.

Preparam-se agora para também dar equivalência à UNI(versidade) (esta piada da Uni vem da série inglesa “My Family”)? Já agora, Bolonha não anda longe, que tal equivalência ao doutoramento vocacional? Há já doutoramentos que são isso mesmo, que não foram defendidos por entidades externas, a chamada “tesinha” que é apenas defendida perante o orientador :::::::::: tem outro nome em Inglês que por lá também andam a abortalhar muito do ensino superior.

Como já o disse aqui, saí para aposentação antecipada para não me prostituir que é o que penso que faz quem passa os alunos no ensino vocacional ou no outro sem lhes ensinar coisa nenhuma, apenas para não “levantar problemas” e manter o seu emprego. Podiam mantê-lo lutando mas deixaram sozinhos os colegas que estavam a lutar por um ensino profissional de qualidade. Tiro o chapéu aos que rescindiram por essa razão ou semelhantes motivos! Gente de fibra que era professor e a partir do momento em que não mais foi possível sê-lo , apresentaram a demissão ou reformaram-se. Podiam fazê-lo? Seriam ricos, bem casados? O tanas, estou-me nas tintas, fizeram o que tinham a fazer! Os que não têm essa possibilidade ao menos lutem por um ensino vocacional de qualidade ainda que isso signifique menos horas lectivas!!!!!!!!!!!!!!!! Já mandaram muito coleguinha para o desemprego precisamente por terem abortalhado o ensino vocacional e profissional!!!!!!!!!!!! Há ou havia escolas profissionais privadas com filas de espera, por que será? Ou antes, porque seria, pois entretanto com a inflação de cursos profissionais na escola pública e a crise de rendimentos essas escolas (poucas) devem ter desistido também.


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