Alguns apontamentos sobre a “missão” na saúde

18 06 2011

Ando arredada dos twitter. E por isso não sabia que já havia governo, quando escrevi o último post sobre Crato. Estou muito feliz com a nomeação. Nada a alterar do que disse. O ministro das finanças confesso que não conheço. Interessa-me agora falar de Macedo no ministério da saúde. Acho que o homem é bom na sua profissão , funcionando por objectivos que cumpre. Foi assim na DGCI, mas não lhe quiseram continuar a pagar a comissão. E agora? Aceitou ganhar muito menos ? É espírito de missão? Por falar nisso, calculo qual a missão. Acabar com os desperdícios. Tudo bem, desde que nestes estejam incluídos o número e as abébias dos administradores hospitalares . Ou serão os meios de diagnóstico?  Neste senhor tenho alguma confiança que faça as contas até ao fim e verifique o que fica mais caro: um diagnóstico mal feito , com sucessivas e recorrentes idas ao centro de saúde e hospital  (com internamentos porventura evitáveis) e uma factura de medicamentos errados, ou uma actuação rigorosa e certeira com base num diagnóstico científico exigindo por isso exames porventura caros mas necessários?  Por exemplo. Haverá outros desperdícios, como a incapacidade de actuação em pequenas intervenções nos próprios centros de saúde. Nestes, as pessoas esperam 3 e mais horas para terem a uma consulta e obter um papelinho que os manda para o hospital (onde esperam 6 meses a um ano por consulta e seis horas se for emergência) para fazer intervenções e exames que poderiam ser feitos logo no centro de saúde e/ou laboratórios/clínicas (públicos ou privados) associados ao SNS e a outros subsistemas de financiamento (públicos ou privados, como as seguradoras). Vamos esperar para ver. Naquele pelouro há que ter um programa coeso e ser um hábil negociador com os lobbies, pois não basta por contas em ordem.

Ainda uma coisa que deve estar a preocupar muitos espíritos: o conhecimento do indigitado acerca de declarações de rendimentos. A saúde passar a ser tendencialmente paga. Já o é. Mas erradamente. Tudo reside na questão de saber quem pode pagar seguros privados e quem não pode. Quem pode e tem seguro privado de saúde por que raio tem de ser a Segurança Social, os subsistemas públicos, como a ADSE a pagar todas as contas???? A dupla cobertura do mesmo risco é um desperdício monumental. O seguro de saúde vitalício é viável desde que haja coordenação de esforços entre o estado e as seguradoras para a criação de um fundo para os riscos pesados associados à idade e não só. A garantia de escolha do prestador pelo doente (segurado pelo estado ou por seguro privado) e não pela entidade financiadora ( seguradora ou Estado) garantiria a concorrência saudável entre prestadores e melhoria da qualidade. Estou a pensar em seguro base, claro que extras de hotelaria (quarto individual por exemplo) implicariam maior esforço por parte do segurado. Na situação actual é o que acontece mas sabemos que nos hospitais públicos há instalações para VIP, que à saída do hospital  pagaram o mesmo que todos os demais, ou seja, a taxa moderadora.

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