A geração de 70

20 02 2011

Esquecem-se alguns especialistas em história das “gerações” de que a geração (ou os criticados eram só os intelectuais?) que tinha à volta de vinte nos anos 70, estava em África na guerra colonial, ou na emigração, ou a lutar contra o regime, na clandestinidade ou não, ou em refúgio político internacional (sem data de regresso, a não ser os videntes que sabiam que o 25 de Abril seria em 1974), se fosse estudante e do sexo masculino arriscava-se  a ir para África. Nada disto tem a mínima importância para quem não viveu esses anos em que falar nos cafés era um perigo, havia bufos da PIDE nas universidades. E ninguém sabia se, nos plenários de estudantes,  iria ser o próximo Ribeiro Santos. E escusado será dizer que alguns foram ou estavam presos.

Nem vou colocar o link , não quero dar publicidade, nem ele precisa e isso é que torna grave a análise generalizadora. Esperava melhor.

Claro que não sei se reagiria assim, se não tivesse nascido em 1955, sou então dos(as) tais que nos anos setenta se abotoaram e fecharam a cancela (ou a casa do botão seria mais adequado dizer, dado que alguns botões foram conseguidos com algum sofrimento), como se os de 80 não fossem capazes de fazer muitíssimo pior. Nem sei mesmo se não são os de oitenta que estão a segurar o Sócrates e a promover toda a modernaça política neoliberal do PS e do PSD bem como  todas as  neo qualquer coisa na educação, não esquecendo a contribuição de neo engenheiros, técnicos ou financeiros. Seria interessante analisar essa geração também.

PS: Que parva que sou , esqueci-me de realçar o facto de ser essa geração aquela que financia os mestrados, doutoramentos, o desemprego e emprego precário e mal pago (neste caso, cofinanciando indirectamente as empresas) da geração “parva”.





O que é e onde está o movimento Tahrir (e os profs portugueses)

19 02 2011

Onde está o movimento Tahrir? Está na praça Tahrir , por isso muitos não querem desmobilizar sem ter certezas… Que certezas? Ninguém sabe ao certo, pois as entrevistas têm sido feitas aleatoriamente a pessoas presentes na manif. Aqui e ali vislumbram-se candidatos para o futuro. Mas representantes do movimento não existem ou não se perfilaram.
O jornal Económico publicou, em 12 de Ferereiro, os quatro desafios para o Egipto enumerados pelo analista Alastair Newton.
Entretanto Gaza continua na mesma. Obama não faz a diferença… Desilusão? Talvez não, estava subentendido que o apoio a Israel iria continuar…

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Todas estas considerações para realçar algo que nos diz respeito -as manifs de profs em 2008, salvaguardadas as devidas proporções, já que os professores portugueses apenas mencionaram (exigiram?) a demissão da ministra  (a palavra de orrdem “sai daí” não me parece ter tido eco nos cartazes dos sindicatos, mas posso estar enganada) e não houve ocupação da praça do Comércio ou do Marquês durante duas semanas.

 A manif de 2008, a dos 100 000, aconteceu devido em grande parte às redes sociais, ainda não era o facebook ou talvez já fosse, foram sobretudo os blogues e as reuniões de professores nas suas escolas , para tomadas de posição, progressivamente alinhadas em movimentos que deram voz aos representantes espontâneos dos professores,que,  em cada escola, representavam a esmagadora maioria. Aí esteve a diferença em relação a QUALQUER manifestação anterior inteiramente ou quase totalmente enquadrada pelos sindicatos. O que aconteceu depois é resultado de nada se ter alterado na lei. A representação não sindical nunca foi institucionalizada e só podemos sorrir face ao orgão de “representação das escolas” inventado por  Maria de Lurdes ou Valter: o Conselho de Escolas (os membros desse conselho eram presidentes de CE eleitos pelos presidentes dos CE para representantes de nível regional ou distrital, já nem me lembro como foi, sei que os profs não tiveram qualquer direito de voto nessa eleição). O que é certo é que já então, grande parte dos CE , depois transformados em directores, foram os executantes acríticos das ordens do Governo via CREs ou por telefone directo ao amigo do PS encarregado de  arranjar forma de levar a ADD , mal ou bem, à prática. Torná-la uma situação de facto.

Os movimentos dispersaram, por culpa dos “acordos de entendimento” e por andarem às turras, perderam a força inicial e credibilidade que lhes vinha das bases: dos professores e das escolas.

Alguns movimentos foram boicotados desde o início pelos próprios dirigentes dos mesmos… mas isso é outro fenómeno sociológico que seria interessante estudar.

A escola estalinista criou um pouco por todo o lado gente com ânsia de poder… a nível de escola, imagine-se o alcance de tal poderzinho. O que é certo, embora possa parecer ridículo para quem normalmente associa o poder à governação, é que esse ridículo poder não deixa de ter uma importância enorme. Um pouco por todo o lado esses pequenos poderes e a ADD transformaram as escolas em mini-universos tipo “animal farm”. Os que não tiveram oportunidade ou não quiseram sair da profissão (e não fazem parte das pandilhas à volta desses pequenos poderes) sofrem na pele, todos os dias, a opressão e desmotivação no seu trabalho que nunca verão valorizado, com consequências directas na carreira. Imagine-se (ou estude-se mesmo a sério) o que tal estado de coisas pode fazer à educação neste país.





Orpheus Chamber Orchestra and A. Shankar

17 02 2011


Composição de Ravi Shankar
Infelizmente não encontrei no Youtube nenhum vídeo excerto da interpretação final sem interrupções com entrevistas e comentários.





Pois é… contratado não ganha 1500 ilíquidos

17 02 2011

Consultando a internet à procura de tabelas salariais de professores contratados encontrei um post no blog Marco Batista  (sobre as informações erradas dos enfermeiros a respeito dos salários dosprofs), de 19 de Janeiro de 2010,  onde consta essa informação.

Na caixa de comentários pode ler-se no texto da  resposta do autor do blog a um comentador, o seguinte:

(…) 3º Um professor em inicio de carreira, leia-se contratado, isto é o inicio de carreira para um professor, ganha 1300 e poucos euros BRUTOS, o que dá 1120 LÍQUIDOS. Um professor com cerca de 7 a 8 anos carreira, já no quadro e com UM filho, ganha 1600 e poucos euros BRUTOS, o que dá 1300 pouco LÍQUIDOS.
Eu professor, não profissionalizado, ganho 1200 euros BRUTOS o que dá 960 euros LIQUIDOS. (…)

Posto isto, a resposta à minha pergunta naïve é clara: a questão dos cortes salariais não se coloca no caso dos contratados , já que ganham menos do que 1500 euros brutos. E os profs de carreira que ganham mais do que 1500 BRUTOS são mesmo servos da gleba*, que  acham que o senhor feudal (o Estado) lhes vai manter o vínculo e , porventura em troca desse virtual vínculo, aceitaram o corte para sempre. OS CORTES NÃO SÃO TEMPORÁRIOS, os futuros aumentos eventuais serão calculados com base nos vencimentos actuais, o que significa que se devem esperar alguns anos até voltar a ganhar o que se ganhava em 2010 (caso haja actualização face à inflação, ou seja, quando cessar o congelamento, aí por altura das próximas legislativas ) e progressões na carreira tão cedo não irão acontecer, sendo que as últimas efectuadas só se aplicaram a alguns professores (mas aplicaram-se e aqui tenho a impressão de que,  com a suspensão da ADD, não teriam acontecido, mas isso fica para outro post).

Significado de Gleba: (Dicionário on line de Português)

“s.f. Terreno próprio para cultura.
Torrão.
Porção de terra onde há minérios.
Solo a que os servos se vinculavam; feudo: servo da gleba.
Fig. Solo pátrio, região.”

 





Pergunta “naïve”

15 02 2011

Alguém tem nas suas mãos os termos do seu contrato individual de trabalho com o Estado? Sobretudo a parte respeitante aos deveres do empregador? A nomeação definitiva terá algo a ver com alguma lei feudal que obrigue o servidor do Estado a ser isso mesmo, um servo que, de quando em vez, tem de pagar os dízimos? Se assim for, então o contrato individual que existe para os professores contratados a termo rege-se pelo Direito privado e não administrativo e nunca poderiam ter reduções, devendo ser considerados como trabalhadores do sector privado, onde não houve ainda cortes e onde, nalguns casos , se registaram mesmo aumentos : estou a pensar na Autoeuropa, mas isso é um caso excepcional, a produtividade aumentou… A propósito desta questão da produtividade, no caso dos professores, ela tem estado a  diminuir de ano para ano, pela simples razão de que trabalham agora muito mais horas para produzir o mesmo resultado. O mesmo ou pior, dado que têm tido menos tempo para preparar aulas, passam grande parte do horário presencial a escrevinhar folhinhas com cruzinhas e a executar outros serviços cuja utilidade é , no mínimo, duvidosa, como a “avaliação” do desempenho dos docentes – eles próprios e o  dos outros cujo valor não conhecem nem nunca poderão objectivamente qualificar e muito menos quantificar, por muitas e variadas razões que têm sido sobejamente denunciadas na imprensa e em blogues.

Deixo a pergunta inicial aqui registada, embora calcule que ela estará respondida em pareceres que não li nem vou ler tão cedo, para não me enervar. Estamos num país onde a lei é uma espécie de ioiô que ninguém leva a sério, nem mesmo as próprias vítimas dos atropelos à dita, que vão baixando os braços, a cabeça e as costas de tal forma que quando se levantarem, se o fizerem alguma vez,  já será a partir da posição de joelhos ou pior (no sentido de mais incómoda, claro está, que este blogue tem mantido o decoro, mas calculo que o leitor terá pensado noutras interpretações).





EUA: Obama apresenta orçamento de 2012 numa escola

15 02 2011


Informação da Casa Branca: The President travels to Parkville Middle School and Center for Technology in Baltimore to unveil his budget plan in a reflection of the fact that in the tough choices we face as a nation, our kids’ futures are at stake.

O Orçamento enquanto expressão de uma política com metas a 5 anos (e mesmo 10 ) e apostando na Educação sobretudo Engenharia. Reduções de despesas estão presentes para reduzir o défice.  Depois do discurso, conversa com os alunos de Parkville Middle School (ver até ao fim).

Sobre as características da escola pode consultar-se a home page. A avaliação externa -Maryland School Acessment (MSA) dessa escola pode ver-se aqui.

“The Maryland School Assessment is an annual assessment program that tests grades 3 through 8 in reading and mathematics. Two tests are also required at the high school level to measure reading and mathematics. The MSA results are used in the calculation of whether a school met the AYP target. Science scores are represented for grades 5 and 8 and the high school level but are not a part of  Adequate Yearly Progress (AYP). The performance results for MSA include both MSA and MOD-MSA students for grades 3-8.”

Resultados de Parkville em Matemática (por exemplo)





Valentine’s day?

14 02 2011


Enviado hoje ao Youtube pela BBC há 4h (excerto de vídeo sobre as espécies de pinguins e de tartarugas em risco de extinção).