O que é e onde está o movimento Tahrir (e os profs portugueses)

19 02 2011

Onde está o movimento Tahrir? Está na praça Tahrir , por isso muitos não querem desmobilizar sem ter certezas… Que certezas? Ninguém sabe ao certo, pois as entrevistas têm sido feitas aleatoriamente a pessoas presentes na manif. Aqui e ali vislumbram-se candidatos para o futuro. Mas representantes do movimento não existem ou não se perfilaram.
O jornal Económico publicou, em 12 de Ferereiro, os quatro desafios para o Egipto enumerados pelo analista Alastair Newton.
Entretanto Gaza continua na mesma. Obama não faz a diferença… Desilusão? Talvez não, estava subentendido que o apoio a Israel iria continuar…

…………………………..
Todas estas considerações para realçar algo que nos diz respeito -as manifs de profs em 2008, salvaguardadas as devidas proporções, já que os professores portugueses apenas mencionaram (exigiram?) a demissão da ministra  (a palavra de orrdem “sai daí” não me parece ter tido eco nos cartazes dos sindicatos, mas posso estar enganada) e não houve ocupação da praça do Comércio ou do Marquês durante duas semanas.

 A manif de 2008, a dos 100 000, aconteceu devido em grande parte às redes sociais, ainda não era o facebook ou talvez já fosse, foram sobretudo os blogues e as reuniões de professores nas suas escolas , para tomadas de posição, progressivamente alinhadas em movimentos que deram voz aos representantes espontâneos dos professores,que,  em cada escola, representavam a esmagadora maioria. Aí esteve a diferença em relação a QUALQUER manifestação anterior inteiramente ou quase totalmente enquadrada pelos sindicatos. O que aconteceu depois é resultado de nada se ter alterado na lei. A representação não sindical nunca foi institucionalizada e só podemos sorrir face ao orgão de “representação das escolas” inventado por  Maria de Lurdes ou Valter: o Conselho de Escolas (os membros desse conselho eram presidentes de CE eleitos pelos presidentes dos CE para representantes de nível regional ou distrital, já nem me lembro como foi, sei que os profs não tiveram qualquer direito de voto nessa eleição). O que é certo é que já então, grande parte dos CE , depois transformados em directores, foram os executantes acríticos das ordens do Governo via CREs ou por telefone directo ao amigo do PS encarregado de  arranjar forma de levar a ADD , mal ou bem, à prática. Torná-la uma situação de facto.

Os movimentos dispersaram, por culpa dos “acordos de entendimento” e por andarem às turras, perderam a força inicial e credibilidade que lhes vinha das bases: dos professores e das escolas.

Alguns movimentos foram boicotados desde o início pelos próprios dirigentes dos mesmos… mas isso é outro fenómeno sociológico que seria interessante estudar.

A escola estalinista criou um pouco por todo o lado gente com ânsia de poder… a nível de escola, imagine-se o alcance de tal poderzinho. O que é certo, embora possa parecer ridículo para quem normalmente associa o poder à governação, é que esse ridículo poder não deixa de ter uma importância enorme. Um pouco por todo o lado esses pequenos poderes e a ADD transformaram as escolas em mini-universos tipo “animal farm”. Os que não tiveram oportunidade ou não quiseram sair da profissão (e não fazem parte das pandilhas à volta desses pequenos poderes) sofrem na pele, todos os dias, a opressão e desmotivação no seu trabalho que nunca verão valorizado, com consequências directas na carreira. Imagine-se (ou estude-se mesmo a sério) o que tal estado de coisas pode fazer à educação neste país.

Anúncios