Al Jazeera encerrada no Egipto

30 01 2011

Devo confessar desde já que me não é possível, por ignorância, comentar o que se passa no Egipto. Mas prezo muito a democracia a que alguns (correctamente) chamam liberalismo. Estas duas palavras têm sido muito contaminadas com a vontade de poder que utiliza ambas as bandeiras embora achem facultativo tudo aquilo que é essencial na definição de ambos os conceitos. Aquelas duas palavras são formas de designar um regime que tem a sua essência ligada aos direitos, liberdades e garantias defendidas mais ou menos como universais (ou seja,para todos, embora com algumas reservas) durante a primeira fase da revolução Francesa. Que exista uma Carta dos Direitos Humanos da ONU (onde esses direitos são declarados como mesmo universais) é visto como uma espécie de folclore daquela organização internacional: não é para tomar a sério assim que haja agitação nas ruas.
Este é o comentário geral que tenho a fazer. O encerramento dos escritórios e proibição de emissão a partir do Egito das notícias da Aljazeera é típico de ditaduras. E estas não podem, por definição, ser liberais nem democráticas. Os aliados dos E.U.A. nem sempre são liberais e em certas partes do mundo, de forma sistemática, têm sido preferidos regimes ditatoriais. Parece-me , assim à distância, que no mundo islâmico os EUA apoiam regimes laicos, “tolerantes” … Não me parece impossível conciliar a fusão entre Estado e Igreja com moderação mas devo dizer que acho muito difícil. Assim, todos temem que eleições possam trazer grupos radicais ao poder. Pois … eleições que não são controladas pelo regime ditatorial  têm esse defeito, podem levar ao poder vários tipos de associações criminosas e a Europa experienciou este fenómeno em períodos históricos mais ou menos recentes (que não serão apenas os de há 70 anos, haverá mais actuais)
Assim, aqui deixo o link da notícia sobre o fecho da Al Jazeera no Egipto, no site on line daquela estação televisiva.

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