Algumas perguntas e perplexidades sobre a luta dos profs

7 06 2009

O que aconteceu exactamente às providências cautelares entregues pela FENPROF? Infelizmente nada encontrei no site da Federação. Mas são pertinentes. O que aconteceu ao pedido de declaração de ilegalidade dirigido ao Procurador Geral da República entregue em Março? Admito que possa ser ignorância minha, tenho andado a evitar ler e ouvir notícias, por questões terapêuticas.

Os coordenadores foram dispensados da avaliação na componente cientifico-pedagógica (por parte da Inspecção) e por isso podem ser classificados de Muito Bom e Excelente? Os cá de baixo, titulares não coordenadores e professores em geral não bafejados pela dispensa, têm que requerer as aulas assistidas se acharem que merecem essa classificação… caso contrário já sabem que só terão de Bom para baixo….

O que é certo é que o simplex enquanto processo sociológico tem muitos aspectos interessantes. Os profs estavam esgotados, a atmosfera nas escolas irrespirável, e veio o simplex pacificar. Como? Por meio de ilegalidades. O pessoal respirou de alívio e a maioria desistiu resistindo, ou resistiu desistindo: a maioria não pediu aulas assistidas, desistindo do reconhecimento do mérito que muitos mas mesmo muitos teriam!

Agora discute-se na blogosfera a  entrega ou não da ficha de auto avaliação que vai replicar para a generalidade da classe o que aconteceu no ano lectivo passado (2007/2008) apenas aos contratados, que foram abandonados à feras de acordo com o memorando do entendimento. Os contratados entregaram, mais ou menos por esta altura do ano , uma ficha de auto avaliação. E foram avaliados, também, como agora, pelo Presidente do Conselho Executivo, ou Director … E nós deixámos. Não deveríamos ter exigido  sermos também avaliados nessa altura, ou seja, sermos todos avaliados de forma intercalar como eles foram?

O que impede um Director de simplesmente retirar a folha apensa à ficha de auto-avaliação, com o protesto individual, e deitá-la para a reciclagem? Talvez seja melhor assegurar a forma de reclamação e exigir recibo dos dois documentos nos serviços administrativos, no caso de ser essa a opção individual do docente. A declaração colectiva só faz sentido se enviada por via hierárquica ou directamente às DREs, Secretarias de Estado e Ministra, com conhecimento à Plataforma Sindical, para efeito de estatística dos protestos.

Mas a declaração deveria referir as ilegalidades….ou já não?

O pior que nos poderia acontecer seria dividirmo-nos com o facto de sermos diferentes, na situação profissional, na análise do processo e das formas de luta a seguir. O que me espanta é haver quem ache que perderíamos o apoio da opinião pública se tivéssemos feito greve por tempo indeterminado, ou greve às avaliações e que os mesmos que acham isso, não achem também que a opinião pública diria simplesmente que os que desobedecem na entrega da fichinha não querem ser avaliados. Não esquecer que o SIADAP foi aplicado mesmo aqui bem pertinho, aos Auxiliares da Acção Educativa e aos funcionários dos Serviços Administrativos e nós assistimos serenos.

Contradições ? Há muitas, dentro da classe docente e em cada docente em particular. Pois temos muitas e não me excluo, claro está. O meu caso só tem aqui interesse por poder gerar uma situação  peculiar- ou seja, tendo estado  ao serviço durante todo o ano  2007/2008, e estando em baixa médica em 2008/2009, por não ter avaliação, provavelmente descontarão dois aninhos em vez de um na progressão – que agora voltou a existir para os que já estavam no antigo 10º escalão com a criação de mais um degrauzinho ou dois  (tipo Everest e K2?) no topo da  carreira.

Actualização: há escolas e há departamentos onde os objectivos foram colectivamente determinados, logo, iguais para todos. Isso pareceu-me uma forma muito inteligente e coerente de actuar, numa altura em que ainda só havia murmúrios em surdina e pouco vento na blogosfera. estou a falar de Setembro/Outubro de 2008. Os colegas que assim procederam provavelmente não vão entregar fichas individuais de auto avaliação diferentes uns dos outros, quer-me parecer. O comentário que deixei há um ou dois dias atrás no umbigo não teve eco, já era muito tarde, perto das 2.oo a.m. Uma entrega das fichas individuais todas igualmente preenchidas não é em si própria um forma de pressão muito forte. Mas é apenas uma questão de princípio, e coerência ou se pedia a suspensão desta farsa avaliativa ou não. Muitos CE estavam obedientes e  mais ou menos adesivados, alguns com ligações directas ao PS e esferas decisórias do mesmo. Foi sempre uma correria nas escolas, como na minha, para que houvesse projecto educativo a tempo, objectivos e metas ou meta-objectivos, whatever, alguns até fizeram uma grelha  com todos os os objectivos possíveis: era só preencher com cruzinhas. Assim aconteceu na minha escolinha, a que deixarei em 1 de Setembro, se Deus quiser, pela porta grande e não por perda de vínculo , jorário zero ou  horizontalmente dentro de um caixão. Se Deus assim o permitir. Tive a sorte de poder sair depois de ver  o assalto ao poder , o assalto ao CGT e aos cargos de directores e por aí fora por parte de alguns colegas bem à frente do “movimento”de Leiria. Não estou a falar de José Vitorino Guerra que, depois do memorando do entendimento , infelizmente, deixou de dinamizar acções desse movimento. Este movimento  arrancou por inciativa dele e de colegas da ES Rodrigues Lobo, depois outros se colaram, os tais do duplo adesivo, jogando em vários tabuleiros. Estes últimos definiam obejctivos e prazos à quarta feira e assinavam posições colectivas de resistência ao Sábado. Isto toda a gente sabe em Leiria mas é bom relembrar.

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