Entristece receber por e-mail , por parte do MUP, links para fichas de auto avaliação preenchidas e um texto a ridicularizar os excelentes e mais uma ficha de aceitação de concurso. Haverá sempre professores assim (excelentes, claro, mas que não pedem para serem avaliados de excelentes, ou pedem? ), colegas que partilham o seu duro trabalho de preencher coisas. Neste caso a ficha de auto-avaliação vai respondida de forma humilde e séria , de acordo com o processo sério e rigoroso de avaliação de docentes, presente no “merdex” e no “simplex”. Entristecida, coloco aqui o link , apenas para que o autor saiba o que penso. Deixar comentário? Não vale a pena e arrisco-me a ter que ler insultos por parte de outros comentadores . Escrevo sobre isto por necessitar de desabafar. Aqui neste blogue os insultos são filtrados. Lá não voltarei tão cedo.
Aquelas fichinhas já todas prontas a comer, ajudam muitos colegas exaustos que já só querem é verem-se livres delas de qualquer maneira e esquecerem tudo isto. Compreendo. Mas é deprimente. Há outras formas de preencher que permitem ao professor não se rebaixar a aceitar participar no processo que até Sócrates reconheceu ser mau. Ele disse que foi corrigido. Não foi. Apesar de “não contar”, a avaliação deste biénio tem efeitos na carreira. E não esquecer que há colegas que não vão ser avaliados por terem sido coerentes na sua luta, os colegas que não entregaram nem objectivos nem ficha. O memorando do entendimento não dizia que não vai haver consequências desta avaliação, afirmava que tem que haver confirmação na próxima avaliação. Ou sou eu que não entendi? Tenho sérias dificuldades em entender como funcionamos nós todos, não apenas os profs mas os Portugueses. Trabalhamos no arame com uma habilidade espantosa, as coisas mais impensáveis são absorvidas, assimiladas e até aproveitadas para interesse dos lobbies (no caso da educação , os “lobbizinhos” , desde que sejam do PS, tomam conta das escolinhas, por todo o lado, sem quaisquer entraves). Quanto a entregar fichas e outras coisas que visceralmente recusamos, o que fazemos? Mostra lá a tua fichinha , vou preencher também mais ou menos assim e está feito, ufff , vamos para férias.
Eu é que não sei viver nem adaptar-me, fica aqui a admissão do facto e este ano fundi mesmo , estando agora em franca recuperação, com a perspectiva de transferência de escola e de cidade que se avizinha. Aquilo que vi na escola em que estou ainda (por pouco tempo) deu para rebentar os fusíveis logo no início deste ano lectivo (que agora termina). Acreditem ou não, foi assim que se passou. Quem duvidar que vá ali ver se eu lá estou e aproveite para ver se está de chuva lá fora.
O que faria se estivesse noutra situação? Não sei, mas não iria preencher “À SÉRIA” a fichinha, isso de certeza que não.
Tive sorte com a transferência que resulta do concurso abjecto para titulares? Já aqui admiti a minha “incoerência”. Mas santa paciência, médicos e amigos foram todos unânimes em aconselhar-me a não deixar fugir esta oportunidade. A aceitação da transferência foi da minha inteira responsabilidade. Eles aconselharam, eu decidi. Assumo. Não sei o que me espera. Parto do princípio que me espera uma escola melhor, é tudo. Se assim não fosse estaria a meter os papéis para a reforma antecipada, daqui a seis meses, em Janeiro de 2010.
