O volume 1 e 2, datados, respectivamente, de 1987 e 1988, comprados já não sei onde nem exactamente quando, mas sei que foi há uns valentes anos quando, também eu, tentei perceber melhor o que concretamente se teria passado em França nos anos de 68 e mais alguns. Relembro que não havia internet e em Portugal vivia-se a ditadurazinha , a tal , e por isso havia dificuldades de comunicação com o exterior para o comum dos mortais. No meu caso mais pessoal, em 68, tinha 13 anos e o que eu sabia é que havia uma guerra em África, isso já sabia e que os tanques russos tinham entrado em Praga em Agosto e esmagado a primavera , isso até que o regime deixou passar, os malandros dos russos e tal e coisa… Mas sobre a revolta em França a informação não me chegou por essa altura. Alguns bons anos depois comprei estes livrinhos que não sei se dão uma ideia razoável do que se viveu em França , o que sei é que dão uma boa ideia da época e da atmosfera que se viveu nos anos 70 antes do 25 de Abril na Academia em Portugal. Depois do 25 de Abril, já não sei, uma vez que a nossa ideia fixa enquanto geração era a de ser independente dos pais e por isso, na primeira oportunidade fui dar aulas, interrompendo um cursinho que só anos mais tarde concluiria como trabalhadora estudante. Isto enfim , agora não interessa muito mas estou a ficar desgostosa, para não dizer um palavrão daqueles que decidi não colocar nunca neste blog. Um tal de Miranda (do Blásfémias) escreveu no DN umas coisas , o autor do Portugal Profundo responde-lhe muito pacificamente mas em boa hora recolocando a discussão num bom nível.
Eu lamento ser um ou uma boomer (devo ser, já que o ano de 1955 foi em Portugal, um ano de record de nascimentos). Lamento também imenso ter lutado por um estatuto bom para os professores, deveríamos ter ficado todos como estávamos antes e já haveria mais para os Mirandas de agora. Eu recuso-me a dizer mais qualquer coisa, eu vou ficar por aqui e acharei interessante ver a evolução não da geração daquele senhor que julgo não pensar como ele, mas dele*, do Miranda, a ver quão lestamente prescindirá dos privilégios que porventura adquiriu ou venha a adquirir e que serão um dia , na sua linha de raciocínio, devidos à geração vindoura dele…
P.S *Claro que não me interessará rigorosamente nada seguir essa evolução, é apenas um modo de reforçar a ideia…


