Matrioskas e farsas

6 02 2008

É oca ou não, uma matrioska? E 150 000 matrioskas?

A última vez que os docentes das escolas secundárias entraram numa farsa hedionda cujas repercussões ainda hoje se fazem sentir foi quando aceitaram e acataram as ordens do ME para arrancar com os novos programas para alunos que ainda não estavam na reforma curricular devendo, portanto, ter o currículo e os programas anteriores. Os novos programas avançaram apesar de pressuporem carga lectiva maior e se estruturarem numa outra lógica. Avançaram porque as editoras tinham já os livros, porque as editoras embarcaram em processos de promessas (semelhantes aos da Ota mas noutra proporção), fizeram investimento contando com o arranque naquele ano, já nem me lembro qual foi, se há 4 se há cinco anos. Por que razão embarcámos nisto? Talvez por cansaço de todas as determinações superiores sem lógica, aceitámos sem piar e procurámos minorar junto dos alunos os efeitos de uma política sem respeito nenhum por eles.

E agora preparamo-nos todos para entrar na maior farsa alguma vez imposta às escolas? Preparamo-nos todos para fazer “directas” a escrever os objectivinhos muito bonitinhos (para um biénio qualquer pois isso agora não interessa nada) e colocá-los em caixinhas de vários tamanhinhos tipo matrioskas muito preenchidinhas de mais do mesmo? Preparamo-nos para obediente e mui diligentemente “dar a pata”?
Mithá Ribeiro faz bem o diagnóstico da farsa da avaliação de professores e suas consequências.


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